Outono em SP alterna calor, frio e chuvas, diz IAC
Estação exige atenção ao manejo agrícola e risco climático
O outono teve início na sexta-feira (20) com um padrão climático de transição marcado por alternância entre calor, frio e episódios de chuva no Estado de São Paulo. A estação, tipicamente menos definida, tende a apresentar maior variabilidade ao longo das próximas semanas, com impacto direto sobre o planejamento agrícola.
Segundo Angélica Prela Pantano, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o período será caracterizado por oscilações frequentes nas condições do tempo. “Ainda teremos alguns períodos de indefinição, com chuvas, secas, calor e frio”, afirma. A expectativa é de redução gradual das temperaturas, sobretudo a partir de maio, com queda mais acentuada nas mínimas noturnas à medida que o inverno se aproxima.
No campo, a variabilidade climática exige maior atenção às janelas operacionais e ao manejo. A alternância entre períodos secos e chuvosos influencia decisões como plantio, irrigação e aplicação de insumos, além de afetar o desenvolvimento das culturas e o potencial produtivo.
Monitoramento climático amplia suporte ao agro
O acompanhamento das condições meteorológicas no Estado é realizado pelo Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), coordenado pelo IAC. Criado em 1988, o sistema reúne atualmente cerca de 220 estações meteorológicas automáticas distribuídas em diferentes regiões paulistas, incluindo unidades da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).
A base de dados, construída a partir de uma série histórica iniciada em 1890, fornece informações sobre temperatura, precipitação, umidade relativa do ar e velocidade do vento. Esses parâmetros sustentam análises como balanço hídrico, risco de geadas, horas de frio e estudos sobre secas agrícolas e eventos extremos, como vendavais.
Além do uso no campo, os dados também são compartilhados com a Defesa Civil, apoiando ações de prevenção e resposta a desastres naturais em áreas urbanas. A estrutura conta ainda com a participação da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).
Parceria com a Rural Clima reforça previsões
O monitoramento é complementado por parceria com a Rural Clima, que integra dados observados às previsões meteorológicas. A combinação permite avaliar o comportamento recente do clima e antecipar tendências, ampliando a capacidade de resposta dos produtores.
De acordo com a agrometeorologista Ludmila Bardin Camparotto, a integração entre dados históricos e previsão melhora a assertividade das decisões no campo. A cooperação também direciona pesquisas em agrometeorologia, com foco em eventos extremos, como secas, que têm se tornado mais frequentes no Estado.
A consolidação dessas informações reforça o papel do monitoramento climático como ferramenta estratégica para mitigar riscos e otimizar a gestão agrícola em um cenário de maior instabilidade climática.
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