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Guerra, câmbio e insumos pressionam setor sucroenergético

Relatório do Rabobank aponta impacto no açúcar e etanol

O cenário geopolítico global passou a ditar o ritmo do setor sucroenergético, com efeitos diretos sobre preços, custos e decisões de produção. É o que mostra o relatório AgroInfo Q1 2026, do Rabobank, que destaca a escalada do conflito no Oriente Médio como principal vetor de volatilidade para cana-de-açúcar, açúcar e etanol.

A elevação dos preços do petróleo tem sustentado o avanço das cotações do açúcar no mercado internacional, com contratos em Nova York superando 15,5 centavos de dólar por libra-peso em março. Ao mesmo tempo, a valorização da energia reforça a competitividade do etanol frente à gasolina, influenciando o mix das usinas no ciclo 2026/27.

Apesar do suporte aos preços, o banco alerta para riscos relevantes. A redução das importações de países do Golfo, responsáveis por cerca de 9% do comércio global de açúcar bruto, pode limitar a demanda no curto prazo. Além disso, o aumento do frete marítimo e dos seguros eleva o custo final para compradores, pressionando a competitividade das exportações brasileiras.

Câmbio e guerra no radar do mercado

No campo macroeconômico, o câmbio segue como variável central para o agro. O Rabobank projeta o dólar a R$ 5,55 ao final de 2026, em meio a incertezas fiscais, eleitorais e ao avanço das tensões internacionais.

A guerra no Oriente Médio intensificou os riscos inflacionários globais ao impactar fluxos de petróleo, gás e fertilizantes, elevando custos e reduzindo a previsibilidade econômica. Para o Brasil, o efeito é duplo. De um lado, exportações de commodities podem se beneficiar de preços mais altos. De outro, o encarecimento de insumos e combustíveis pressiona margens no campo.

O relatório também aponta que o diferencial de juros ainda elevado pode amortecer parte da desvalorização do real, embora o cenário permaneça sensível à evolução do conflito e à política monetária dos Estados Unidos.

Clima pode favorecer cana, mas traz incerteza

No campo climático, as chuvas recentes ajudaram a recuperar parcialmente os canaviais após períodos de déficit hídrico, contribuindo para o desenvolvimento da cultura.

Para os próximos meses, a previsão indica retorno à normalidade das precipitações, com possibilidade de formação de um El Niño no segundo semestre de 2026, o que tende a influenciar o regime de chuvas no país.

Segundo o banco, o comportamento climático nas próximas semanas será decisivo para o início da safra, podendo antecipar ou atrasar a moagem dependendo do volume de chuvas no início de abril.

Fertilizantes sobem e pressionam custos

Os insumos agrícolas seguem como principal fonte de preocupação para o produtor. Mesmo antes da escalada do conflito, os fertilizantes já acumulavam alta de cerca de 17% em 2026, com destaque para ureia e MAP.

Com a guerra, o movimento se intensificou. A ureia registrou aumento superior a 46% em poucas semanas e acumula alta de 76% no ano, refletindo a dependência global da região do Golfo na produção de nitrogenados.

O encarecimento dos insumos, somado ao aumento do diesel, deve elevar os custos de produção e reduzir a demanda por fertilizantes no Brasil, com projeção de queda nas entregas ao produtor.

No setor sucroenergético, esse cenário reforça a pressão sobre as margens da safra 2026/27, que dependerão não apenas dos preços de açúcar e etanol, mas também da evolução dos custos agrícolas e energéticos.

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