Ex-embaixador dos EUA defende maior alinhamento com Brasil
Seminário debate comércio, energia e geopolítica global
A crescente disputa entre Estados Unidos e China e seus reflexos sobre comércio, energia e segurança alimentar pautaram o seminário “A Nova Geoeconomia Mundial”, realizado nesta terça-feira (9), em São Paulo. Promovido pelo Instituto Diálogos, o encontro reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir oportunidades e desafios para o Brasil em um cenário internacional mais fragmentado.
O principal convidado foi Nicholas Burns, professor da Harvard Kennedy School e ex-embaixador dos Estados Unidos na China e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ao abordar o futuro das relações internacionais, o diplomata afirmou esperar que, nos próximos cinco anos, Brasil e Estados Unidos estreitem seus laços políticos e econômicos.
Na abertura do evento, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos, destacou a necessidade de o país retomar o planejamento estratégico de longo prazo. Segundo ela, as transformações recentes nas relações internacionais exigem uma reflexão sobre o posicionamento brasileiro diante das mudanças econômicas e comerciais em curso.
Recursos estratégicos ganham relevância
O primeiro painel reuniu Marcos Jank, especialista em agronegócio e segurança alimentar; Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics; e Ricardo Zuniga, ex-conselheiro da Casa Branca para América Latina e ex-cônsul dos Estados Unidos em São Paulo.
Jank avaliou que alimentos, energia e minerais estratégicos passaram a exercer influência crescente nas decisões de governos e empresas. Na sua visão, a combinação desses três segmentos coloca países exportadores, como o Brasil, em posição diferenciada nas negociações internacionais.
Troyjo destacou que a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo vem alterando fluxos de investimentos e estratégias industriais. Para ele, a tendência é de maior busca por autonomia produtiva e tecnológica, especialmente por parte da China.
Zuniga ressaltou que a capacidade de manter diferentes parceiros comerciais será uma vantagem competitiva cada vez mais relevante. Segundo o especialista, o Brasil reúne características que o tornam um interlocutor importante para Washington.
Relação bilateral e organismos internacionais
No segundo painel, Burns afirmou que a convivência entre Estados Unidos e China exigirá equilíbrio e pragmatismo nas próximas décadas. O diplomata defendeu a ampliação do diálogo econômico e a redução de barreiras comerciais, classificando o livre comércio como um fator positivo para o crescimento global.
O ex-embaixador também destacou afinidades entre Brasil e Estados Unidos e defendeu maior protagonismo brasileiro em organismos multilaterais. Nesse contexto, manifestou apoio à inclusão do país como membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Criado em fevereiro de 2026, o Instituto Diálogos é uma organização apartidária voltada à discussão de temas econômicos, tecnológicos, políticos e geopolíticos. A iniciativa busca reunir diferentes correntes de pensamento para analisar tendências que podem influenciar o desenvolvimento brasileiro.
Entre os temas apontados como prioritários para os próximos anos estiveram a segurança alimentar, a transição energética, a dependência global de fertilizantes e a reorganização dos fluxos internacionais de comércio e investimentos.
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