IA no plantio de cana e vinhaça ganham espaço na Agrishow
Tecnologias avançam com pressão sobre fertilizantes e custos
A Agrishow 2026, realizada entre segunda-feira (27) e sexta-feira (1º), evidenciou o avanço de tecnologias voltadas à eficiência no campo e à redução de custos na cana-de-açúcar. Em um cenário de dependência externa de fertilizantes e instabilidade geopolítica, soluções com automação, aplicação precisa de insumos e maior controle operacional ganharam espaço entre produtores e usinas.
A escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz recolocaram em pauta a dependência brasileira de insumos importados. Hoje, cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no país são importados. Esse contexto reforçou a busca por alternativas como biofertilizantes, reaproveitamento de resíduos industriais e agricultura de precisão.
Nesse ambiente, a vinhaça, subproduto da produção de etanol, ganhou protagonismo. Rica em potássio, cálcio, magnésio e matéria orgânica, pode chegar a até 15 litros para cada litro de etanol produzido, o que exige manejo eficiente. Equipamentos com tecnologia de taxa variável permitem aplicação em oito linhas simultâneas, com controle de vazão e fechamento de seções. O sistema opera com faixa de até 70 mil litros, garantindo maior precisão. A aplicação localizada pode triplicar o rendimento em comparação à aspersão.
Automação no plantio e novas soluções operacionais
Outro destaque foi a plantadora de cana com Inteligência Artificial, que avançou do protótipo apresentado na edição anterior para a fase comercial após uma safra completa de testes em duas usinas da região de Ribeirão Preto – SP. O sistema monitora em tempo real a quantidade de toletes plantados e interrompe automaticamente a operação em caso de falhas na dosagem.
A interrupção exige que o operador retorne ao ponto de falha e refaça o plantio, o que reduz perdas em uma cultura cujo ciclo pode se estender por quatro a cinco safras. A máquina também integra monitoramento via rede CAN, permitindo ajustes imediatos e maior controle operacional. No segmento, a fabricante informou participação de 42% no mercado de plantadoras de cana.
No combate a incêndios, equipamentos automatizados ganharam espaço, com capacidade de 15 mil a 18 mil litros de água e canhão autônomo guiado por sensores térmicos, além de controle remoto, ampliando a segurança e a eficiência das operações em canaviais, reflorestamentos e áreas agrícolas.
Outra frente foi a introdução de veículos utilitários do tipo UTV voltados à catação no campo, desenvolvidos para atender demandas operacionais específicas, ampliando o uso de soluções mecanizadas em atividades complementares na lavoura.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: