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El Niño amplia riscos para agro, energia e logística no Brasil

Climatempo alerta para impactos econômicos nos próximos meses

A confirmação da formação do El Niño deve alterar o comportamento do clima no Brasil nos próximos meses e elevar os desafios para setores estratégicos da economia. Segundo a Climatempo, o fenômeno tende a ganhar força durante a primavera e o verão, influenciando o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos extremos em diferentes regiões do País.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, condição que modifica a circulação atmosférica global e afeta a distribuição das precipitações. De acordo com a empresa de consultoria meteorológica, a expectativa é de chuvas acima da média no Sul, redução das precipitações em parte do Norte e Nordeste e períodos mais prolongados de calor no Centro-Oeste e Sudeste.

Patricia Madeira, CEO da Climatempo, afirma que a confirmação do evento exige maior atenção de empresas e gestores públicos, uma vez que os efeitos climáticos podem provocar impactos diretos sobre cadeias produtivas, infraestrutura e abastecimento. Segundo ela, o uso de inteligência climática tende a ganhar importância na redução de riscos e no planejamento operacional.

Setores estratégicos entram em alerta

A avaliação da Climatempo é de que o atual episódio poderá alcançar intensidade forte ou muito forte, em nível comparável ao observado em 2023. Nesse cenário, diversos segmentos econômicos já monitoram possíveis consequências para suas operações.

No setor elétrico, o aumento das temperaturas pode elevar a demanda por energia, especialmente pelo maior uso de equipamentos de refrigeração. Ao mesmo tempo, a irregularidade das chuvas exige atenção ao nível dos reservatórios, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, regiões responsáveis por grande parte da geração hidrelétrica nacional.

Para o agronegócio, os efeitos variam conforme a região. No Sul, o excesso de umidade pode dificultar atividades de campo, comprometer colheitas e aumentar a incidência de doenças e pragas. Já em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, a menor disponibilidade hídrica pode pressionar a produtividade de culturas dependentes de chuva e elevar a necessidade de irrigação.

Além dos impactos na produção agrícola, oscilações climáticas costumam influenciar custos de produção e a formação dos preços de alimentos. Em cadeias ligadas ao setor sucroenergético, por exemplo, alterações no volume de chuvas podem afetar o desenvolvimento dos canaviais e o planejamento das operações agrícolas ao longo da safra.

Infraestrutura e abastecimento também preocupam

A logística é outro segmento considerado vulnerável. Chuvas intensas podem provocar interrupções em rodovias, ferrovias, portos e centros urbanos, gerando atrasos no transporte de cargas e aumento dos custos operacionais. Em contrapartida, períodos prolongados de seca favorecem queimadas, reduzem a navegabilidade de rios e criam restrições para o escoamento da produção em algumas regiões.

A Climatempo destaca ainda possíveis reflexos sobre construção civil, mineração e indústria, atividades que dependem diretamente da disponibilidade de água para seus processos. Já no comércio e nos serviços, ondas de calor podem alterar padrões de consumo, ampliar a procura por climatização e aumentar a pressão sobre sistemas de saúde.

No abastecimento urbano, o monitoramento dos reservatórios também ganha relevância. A previsão de estiagens mais prolongadas em determinadas áreas do País pode exigir medidas preventivas para preservar mananciais e garantir a segurança hídrica.

Segundo Pedro Regoto, head de Operações da Climatempo, o momento é de revisão dos planos de contingência e de acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas. O executivo ressalta que o fenômeno aumenta o potencial para eventos mais severos, mas lembra que a intensidade dos impactos dependerá da interação com outros fatores climáticos ao longo dos próximos meses.

A empresa avalia que as projeções para a primavera e o verão serão atualizadas conforme a evolução das condições oceânicas e atmosféricas, permitindo ajustes mais precisos nas estratégias de gestão de risco adotadas por empresas e produtores rurais.

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