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Eleições 2026: Coalizão propõe agenda para agro, clima e florestas

Documento reúne medidas para segurança jurídica, produção sustentável e bioeconomia

A economia do uso da terra e a transição para uma produção de baixo carbono estão no centro das propostas apresentadas pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura para as eleições de 2026. O movimento, que reúne mais de 450 organizações do agronegócio, setor financeiro, academia e sociedade civil, lançou um documento com recomendações destinadas a candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Congresso Nacional.

O material será encaminhado nos próximos meses a coordenadores de campanha, representantes de candidaturas e partidos políticos. A proposta é inserir temas ligados à produção agropecuária, conservação ambiental e desenvolvimento econômico nos programas de governo, considerando aspectos como segurança jurídica no campo, implementação do Código Florestal, rastreabilidade, crédito rural, recuperação de áreas degradadas, bioeconomia e combate ao desmatamento ilegal.

Segurança jurídica e combate à ilegalidade

O primeiro eixo das propostas concentra-se na criação de condições para ampliar a competitividade do país por meio da segurança jurídica e da redução de riscos. Entre as medidas defendidas estão o combate ao desmatamento ilegal e aos crimes ambientais, a aceleração da implementação do Código Florestal, a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o avanço dos Programas de Regularização Ambiental (PRA), além do ordenamento fundiário e da demarcação de Terras Indígenas.

Segundo a Coalizão, a integração de bases de dados e o fortalecimento da inteligência pública são fundamentais para enfrentar a ilegalidade e ampliar o acesso a crédito e investimentos. O documento afirma ainda que essas ações podem contribuir para fortalecer a reputação dos produtos brasileiros nos mercados nacional e internacional.

Produtividade e sustentabilidade

O segundo eixo propõe ampliar a produtividade e a resiliência climática da agropecuária brasileira. A rastreabilidade socioambiental em escala aparece entre as prioridades, sendo apontada como um diferencial competitivo diante das novas exigências de consumidores e regulações internacionais.

As propostas incluem ainda a modernização do financiamento rural, com a incorporação de critérios de sustentabilidade e conformidade ambiental ao acesso ao crédito, seguros e demais instrumentos financeiros. O documento também destaca a expansão de práticas já consolidadas, como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas e tecnologias de baixa emissão de carbono.

Bioeconomia e mercado de carbono

O terceiro eixo é voltado à criação de instrumentos econômicos capazes de remunerar a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Entre os mecanismos mencionados estão o mercado de carbono, os pagamentos por serviços ambientais, a restauração de ecossistemas, a silvicultura de espécies nativas, as concessões florestais e a bioeconomia.

A estratégia busca atribuir valor econômico à vegetação nativa e ampliar as oportunidades de renda para produtores rurais, comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares e empresas. Para a Coalizão, a combinação entre conservação e geração de negócios pode ampliar a competitividade do país em um cenário internacional cada vez mais orientado por critérios de sustentabilidade.

“O Brasil tem a oportunidade de transformar sua vantagem natural em uma estratégia de desenvolvimento de Estado”, afirma Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão Brasil. Segundo ela, as propostas buscam dar continuidade a políticas públicas já existentes, conectando conservação, inovação e produtividade, com foco em resultados, segurança regulatória e competitividade.

Para Fernando Sampaio, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão, as eleições representam uma oportunidade para discutir o papel do país na agenda agroambiental global. “O país já possui conhecimento, instrumentos e experiência para avançar nessa direção. O desafio agora é transformar essas agendas em prioridade política”, destaca.

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