Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Indústria automotiva critica incentivo à importação de elétricos

Anfavea avalia que medida pode afetar produção e previsibilidade

A decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de restabelecer incentivos para a importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados, nos regimes CKD e SKD, gerou reação da indústria automotiva. Em nota divulgada na terça-feira (23), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que a medida altera a política industrial voltada à eletromobilidade e pode comprometer a previsibilidade necessária para novos projetos produtivos no país.

Segundo a associação, a decisão foi tomada sem consulta ao setor produtivo e modifica regras que haviam sido estabelecidas pelo próprio governo federal após discussões com representantes da indústria. As cotas para importação dos kits de montagem terminaram em fevereiro de 2026, conforme cronograma definido anteriormente.

Política industrial entra no centro do debate

Na avaliação da Anfavea, a ampliação dos benefícios em um momento de expansão da produção nacional pode reduzir os incentivos à industrialização local. A associação afirma que empresas estruturaram seus projetos considerando as regras vigentes e que alterações no cronograma estabelecido geram insegurança para decisões de longo prazo.

A Anfavea também argumenta que a medida afeta fabricantes instaladas no Brasil, empresas de autopeças e trabalhadores da cadeia automotiva. De acordo com a nota, sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria manifestaram posição contrária à retomada dos incentivos à importação nos últimos dias.

Produção nacional amplia participação

Apesar das críticas à decisão, a associação destaca que a eletrificação da frota avança de forma acelerada no mercado brasileiro. Os emplacamentos de veículos eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025, impulsionados pela chegada de novas marcas e pela ampliação da oferta de modelos aos consumidores.

Ao mesmo tempo, a indústria automotiva anunciou R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033. Os recursos estão destinados ao desenvolvimento de novas formas de propulsão, eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores.

Os números mostram que a fabricação nacional de veículos eletrificados vem ampliando sua participação no mercado. Em 2025, os modelos produzidos no país responderam por 25,9% das vendas do segmento. No acumulado até maio de 2026, o mercado atendido por veículos fabricados no Brasil registrou crescimento de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Previsibilidade regulatória ganha destaque

Para a Anfavea, a discussão atual não está mais relacionada à adoção da eletromobilidade, mas ao modelo de desenvolvimento que será adotado para a nova mobilidade no país. O debate envolve, segundo a associação, a capacidade de ampliar a produção local, fortalecer a cadeia de fornecedores e ampliar a agregação de valor da indústria brasileira.

A associação reconhece que incentivos à importação podem ter papel relevante em fases iniciais de implantação industrial. No entanto, avalia que a ampliação desses benefícios altera os sinais econômicos para o setor e amplia o debate sobre previsibilidade regulatória e competitividade da indústria brasileira.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *