Açúcar recua com avanço da oferta global e safra no Centro-Sul
Tailândia amplia exportações enquanto clima e petróleo seguem no radar
O mercado internacional de açúcar terminou a última semana em baixa diante do aumento da oferta global, do avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul brasileiro e do crescimento das exportações da Tailândia. Ao mesmo tempo, clima, petróleo e câmbio continuam influenciando as expectativas de produtores, usinas e tradings.
Na sexta-feira (22), o contrato julho/26 do açúcar bruto na ICE de Nova York fechou a 14,70 centavos de dólar por libra-peso, queda de 1,34%. Em Londres, o açúcar branco encerrou o pregão cotado a US$ 442,40 por tonelada, recuo de 0,58%. Entre os principais fatores baixistas do mercado esteve o aumento dos embarques da Tailândia, segundo maior exportador global da commodity. Entre janeiro e abril de 2026, o país exportou cerca de 1,6 milhão de toneladas, alta de 29% na comparação anual.
O mercado também repercute as projeções da International Sugar Organization (ISO), que revisou para cima a estimativa de superávit mundial na safra 2025/26. A entidade projeta produção recorde de 182 milhões de toneladas e excedente global de 2,2 milhões de toneladas.
Clima mantém setor em alerta
Apesar do cenário de maior oferta, o clima ainda preocupa agentes do setor sucroenergético. A possibilidade de formação do El Niño nos próximos meses mantém atenção sobre importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. No Centro-Sul, o tempo seco favoreceu o ritmo da moagem em boa parte das unidades industriais. Já algumas áreas do Paraná e do noroeste paulista registraram chuvas nos últimos dias, provocando paralisações pontuais.
Para o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, ainda é cedo para avaliar os efeitos climáticos sobre produtividade e ATR. “Em açúcar, abril e maio fazem propaganda; agosto e setembro é que entregam o produto”, afirmou. Outro ponto acompanhado pelo mercado é o petróleo. Com o Brent próximo de US$ 104 por barril, analistas avaliam que novas altas podem fortalecer o etanol e alterar a competitividade entre açúcar e biocombustível.
Custos elevados limitam reação dos preços
Além da pressão internacional, o setor acompanha a relação entre preços e custos de produção. Segundo Corrêa, o custo FOB Santos do açúcar VHP está próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso, acima das atuais cotações internacionais. No mercado interno, o indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco em São Paulo fechou a sexta-feira (22) em R$ 93,56 por saca de 50 quilos, acumulando queda de 4,44% em maio. A combinação entre avanço da moagem, maior disponibilidade global e demanda mais cautelosa continua limitando movimentos de recuperação mais consistentes nas bolsas internacionais