Transição energética amplia espaço para etanol e biometano
Debate destaca papel dos biocombustíveis na mobilidade
A transição energética, a competitividade da indústria, a digitalização, a inteligência artificial e a descarbonização da mobilidade estiveram entre os principais temas do Anfavea Visions 2026, realizado nos dias 9 e 10 de junho, no Hotel Unique, em São Paulo. O encontro reuniu lideranças da indústria automotiva, energia, tecnologia e do mercado financeiro para discutir os desafios e as oportunidades da mobilidade no Brasil diante das transformações tecnológicas e regulatórias em curso.
Entre os painéis da programação, “A Matriz Energética que Move o Brasil: Transição, Coexistência e Estratégia” concentrou as discussões sobre o papel das diferentes fontes de energia na redução das emissões do transporte. Os participantes defenderam que a descarbonização não será conduzida por uma única tecnologia, mas pela combinação de soluções capazes de atender às diferentes necessidades do mercado.
Etanol e biometano reforçam potencial brasileiro
Durante o debate, o presidente da Copersucar, Tomás Manzano, afirmou que eletrificação, etanol e biometano não competem entre si, mas exercem funções complementares na transição energética. Segundo ele, a diversidade da matriz energética brasileira coloca o país em posição privilegiada para ampliar sua participação no mercado global de combustíveis de baixo carbono.
Ao abordar o etanol, o executivo destacou que, apesar da experiência acumulada pelo Brasil ao longo de mais de cinco décadas, o combustível ainda possui participação limitada na maior parte dos mercados internacionais. Na avaliação dele, caso outros países adotassem uma mistura de apenas 5% de etanol à gasolina, a demanda adicional seria equivalente à produção brasileira atual.
Outro destaque foi o biometano obtido a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. Além de aproveitar um resíduo da produção sucroenergética, o combustível apresenta intensidade de carbono significativamente inferior à do diesel e pode ampliar sua participação, principalmente no transporte de cargas, à medida que avança a busca por alternativas de menor emissão.
Diferentes tecnologias deverão coexistir
O debate também evidenciou que a eletrificação continuará avançando, sobretudo em aplicações nas quais a infraestrutura de recarga ofereça viabilidade econômica. Executivos do setor observaram que esse movimento dependerá da expansão da rede elétrica, do desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia e da ampliação da infraestrutura para abastecimento dos veículos.
Outro ponto levantado foi a necessidade de políticas públicas capazes de oferecer maior previsibilidade aos investimentos da indústria, considerando que projetos ligados à mobilidade e à transição energética exigem planejamento de longo prazo.
Ao longo da discussão, também foi destacada a possibilidade de tecnologias desenvolvidas no Brasil encontrarem espaço em mercados com características semelhantes às da América Latina, África e Ásia, especialmente nas áreas de biocombustíveis e transporte comercial.
Para os participantes do painel, a diversidade de recursos energéticos disponível no Brasil representa um diferencial competitivo. Nesse contexto, a ampliação do uso de combustíveis renováveis e o avanço da eletrificação tendem a ocorrer de forma complementar, acompanhando as características de cada aplicação e a evolução da infraestrutura necessária para a mobilidade de baixo carbono.
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