El Niño eleva riscos climáticos e pressiona gestão no agronegócio
Previsões para 2026 indicam eventos extremos e ampliam desafios no campo
A possibilidade de retorno do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 amplia as preocupações do agronegócio brasileiro diante dos impactos esperados sobre a produção agrícola e os custos associados à gestão de riscos. Modelos climáticos apontam probabilidade superior a 80% de formação do fenômeno até julho, com possibilidade de um evento de forte intensidade, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.
As projeções indicam comportamentos distintos entre as regiões do país. O Sul pode registrar chuvas acima da média, tempestades e episódios de granizo, enquanto Norte e Nordeste tendem a enfrentar períodos mais prolongados de estiagem. No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas e o calor intenso figuram entre os principais desafios. Já o Sudeste deve ter inverno e primavera com temperaturas mais elevadas do que a média histórica.
Segundo Afonso Arinos, diretor de Agro da Alper Seguros, a mudança do cenário climático exige revisão das ferramentas de proteção financeira utilizadas nas propriedades rurais. O especialista afirma que apólices contratadas em períodos de menor volatilidade podem se tornar insuficientes diante da elevação dos custos de produção e dos prejuízos provocados por eventos climáticos extremos.
“O produtor precisa entender que o seguro não é apenas um custo adicional, mas uma ferramenta de governança e de proteção do retorno sobre o investimento”, afirma Arinos. Segundo ele, a atualização dos limites de indenização acompanha a evolução dos custos de produção observada nos últimos anos, principalmente em um cenário de maior exposição a riscos climáticos.
Coberturas variam conforme o risco regional
As estratégias de proteção variam de acordo com as características climáticas de cada região. Nas áreas com maior risco de excesso de chuvas e granizo, os seguros de produtividade e modelos customizados ganham relevância por protegerem a expectativa de produção. Já nas regiões sujeitas à seca e ao calor extremo, o seguro paramétrico e as modalidades multirriscos aparecem entre as alternativas mais utilizadas para reduzir os impactos financeiros decorrentes de perdas na safra.
Outro ponto destacado pelo especialista é o cumprimento do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). O plantio fora das janelas recomendadas pode comprometer o direito à indenização em caso de perdas, especialmente em períodos de maior instabilidade climática. Nesse contexto, o alinhamento entre planejamento agronômico e instrumentos de gestão de risco tende a ganhar maior relevância nas decisões do setor.
Seguro paramétrico amplia espaço no mercado
Entre as modalidades que vêm ganhando espaço está o seguro paramétrico, cuja indenização é acionada automaticamente quando indicadores climáticos previamente definidos são atingidos. O modelo utiliza dados de satélite e estações meteorológicas para aferir os eventos cobertos, reduzindo a dependência de vistorias presenciais e ampliando sua participação no mercado de seguros voltados ao agronegócio.
Dados do mercado mostram que as modalidades de proteção baseadas em índices climáticos vêm ampliando participação no agronegócio, movimento que acompanha o aumento da frequência de eventos meteorológicos extremos e a busca por instrumentos mais ágeis de gestão de risco nas atividades agrícolas.
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