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Entregas de fertilizantes superam 12 milhões de toneladas em 2026

O mercado brasileiro de fertilizantes manteve ritmo positivo no primeiro quadrimestre de 2026, mesmo diante de um ambiente marcado por incertezas geopolíticas e condições de crédito menos favoráveis ao produtor rural. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas ao mercado interno somaram 12,30 milhões de toneladas entre janeiro e abril, alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar do desempenho acumulado, abril registrou desaceleração. No mês, foram entregues 2,54 milhões de toneladas, volume 6% inferior ao observado um ano antes. Segundo a ANDA, o crescimento registrado no início do ano foi impulsionado principalmente pela demanda da safrinha de milho, enquanto os números mais recentes já refletem um comportamento mais cauteloso para a próxima safra de verão.

Mato Grosso permaneceu na liderança das entregas, com 3,06 milhões de toneladas, o equivalente a 24,9% do total distribuído no quadrimestre. Na sequência aparecem São Paulo, com 1,39 milhão de toneladas, Paraná (1,33 milhão), Goiás (1,31 milhão) e Minas Gerais (1,05 milhão).

Produção nacional perde ritmo

Enquanto as entregas cresceram no acumulado do ano, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração. Em abril, foram produzidas 510 mil toneladas, queda de 9,2% na comparação com o mesmo mês de 2025.

No primeiro quadrimestre, a produção atingiu 1,92 milhão de toneladas, recuo de 14,4% frente às 2,24 milhões registradas no mesmo intervalo do ano passado. A ANDA atribui parte dessa redução à valorização do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados, segmento em que o Brasil concentra sua produção.

A associação ressalta ainda que mudanças na estrutura societária de algumas empresas e a retomada de operações industriais impediram que toda a produção nacional fosse contabilizada no período.

Importações seguem elevadas

As importações continuaram desempenhando papel relevante no abastecimento do mercado brasileiro. Em abril, ingressaram no País 3,05 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, volume 10,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a abril, as compras externas somaram 11,21 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação às 11,26 milhões importadas no primeiro quadrimestre do ano anterior. De acordo com a ANDA, esse movimento também foi influenciado pela necessidade de atender a uma safrinha de milho mais robusta.

O Porto de Paranaguá manteve a posição de principal porta de entrada dos fertilizantes no Brasil. Entre janeiro e abril, o terminal recebeu 2,84 milhões de toneladas, redução de 6,5% frente ao mesmo período de 2025, respondendo por 25,4% de todo o volume importado pelo País.

Mesmo com o mercado abastecido, a evolução dos custos das matérias-primas, o ambiente geopolítico internacional e as condições de financiamento ao produtor devem continuar influenciando as decisões de compra para a safra de verão 2026/27, tornando o comportamento da demanda um dos principais fatores a serem acompanhados nos próximos meses.

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