Açúcar reage no mercado internacional e reduz pressão sobre o setor
Consultoria vê melhora das cotações e cenário menos pressionado
As cotações internacionais do açúcar encerraram a última semana em alta, interrompendo parte do movimento de queda observado desde o início da safra. Levantamento da Archer Consulting mostra que os contratos futuros voltaram a ganhar força, enquanto os vencimentos mais longos passaram a refletir uma remuneração mais próxima dos custos de produção da indústria brasileira.
Segundo o sócio-diretor da consultoria, Arnaldo Luiz Corrêa, o contrato com vencimento em outubro acumulou valorização de 30 pontos na semana, enquanto março de 2027 avançou 29 pontos. Embora o fechamento tenha ocorrido próximo da mínima do último pregão, o desempenho semanal indica uma mudança gradual na percepção do mercado.
O movimento é mais evidente nos contratos de prazo mais longo. O vencimento para março de 2029 voltou a superar 17 centavos de dólar por libra-peso, patamar que, na avaliação da consultoria, volta a oferecer remuneração compatível com a estrutura de custos da produção brasileira, depois de um período em que os preços operaram abaixo desse nível.
Essa mudança também se reflete nos preços internos. Considerando câmbio, prêmio de exportação e demais componentes da formação do preço, o retorno em reais por tonelada voltou a superar o custo médio de produção, ainda que sem representar margens consideradas elevadas para o setor.
Mix de produção acompanha novo cenário
A recuperação das cotações ocorre em um momento em que as usinas também incorporam ao planejamento os efeitos da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina. A ampliação do E32 tende a elevar a demanda pelo biocombustível no mercado doméstico, influenciando as decisões sobre o direcionamento da cana entre açúcar e etanol ao longo da safra.
Com isso, o equilíbrio entre os dois produtos passa a depender não apenas das oscilações das bolsas internacionais, mas também da evolução do consumo interno de combustíveis, fator que ganhou peso na estratégia comercial das unidades produtoras.
Outro episódio acompanhado pelo mercado foi a entrega de aproximadamente 800 mil toneladas de açúcar do Centro-Sul brasileiro pela trading chinesa COFCO. Para Corrêa, operações desse porte não permitem, isoladamente, concluir que houve enfraquecimento da demanda mundial.
Segundo ele, movimentos dessa natureza podem decorrer de arbitragem, troca de posições entre contratos, reorganização logística ou decisões comerciais específicas, sem representar necessariamente uma mudança estrutural nos fundamentos do mercado.
Indicadores técnicos entram no radar
Além dos fundamentos, a Archer Consulting observa melhora no quadro técnico das negociações. De acordo com análise do especialista Marcelo Moreira, o contrato de outubro rompeu a média móvel de 200 dias, nível considerado uma referência importante pelos investidores e que agora passa a funcionar como suporte para os preços.
Caso esse patamar seja preservado, o mercado poderá buscar níveis mais elevados nas próximas semanas. Se houver rompimento desse suporte, porém, as cotações tendem a voltar para a faixa entre 14,50 e 14,10 centavos de dólar por libra-peso, segundo a análise técnica da consultoria.
O comportamento da moagem no Centro-Sul, o ritmo das exportações brasileiras, a demanda dos principais países importadores e os efeitos do E32 sobre o consumo doméstico de etanol passam a concentrar a atenção do mercado. A combinação desses fatores deverá definir se o movimento recente representa apenas uma recuperação pontual ou o início de uma nova trajetória para os preços internacionais do açúcar.
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