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Biometano avança no transporte de levedura de cana em São Paulo

Projeto prevê movimentar 12 mil toneladas e reduzir emissões de GEE em 84%

O biometano começa a ganhar espaço na logística de produtos ligados à cadeia sucroenergética. Uma parceria entre a LOTS Group e a ICC Nutrição Animal prevê substituir parte do diesel utilizado no transporte de levedura de cana-de-açúcar entre usinas e unidades da companhia no Estado de São Paulo.

A operação experimental deve movimentar mais de 12 mil toneladas de levedura na safra 2026/27 com caminhões abastecidos pelo combustível renovável. O projeto contempla rotas entre usinas parceiras da ICC e unidades da empresa no Estado.

A expectativa é reduzir em pelo menos 84% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) nos trechos atendidos. Segundo as empresas, o volume deve cair de 223,58 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) para 36,02 toneladas.

Operação deve substituir 100 mil litros de diesel

Com a mudança, cerca de 100 mil litros de diesel devem deixar de ser consumidos. A projeção também aponta redução de 99% nas emissões de poluentes locais, entre eles óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2) e material particulado.

Nesse grupo, as emissões devem recuar de 2.226 quilos para 31 quilos. De acordo com estimativas apresentadas no projeto, o potencial de redução de carbono é comparável à capacidade anual de remoção de mais de 22,5 mil árvores.

Para Pedro Silvestrini, vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da LOTS Group, a experiência mostra que o uso de combustíveis renováveis no transporte de cargas depende da articulação entre os diferentes agentes da cadeia.

“Projetos como esse mostram que a descarbonização do transporte de cargas no agronegócio brasileiro é uma realidade viável quando há visão de longo prazo e disposição para inovar. O biometano é uma solução madura, disponível e com enorme potencial para transformar o setor”, afirma.

Biometano exige adaptação da operação logística

A adoção do combustível exige planejamento específico das operações. Segundo Ricardo Manzoli Jr., gerente de Logística e Armazéns da ICC Nutrição Animal, o modelo não pode ser estruturado apenas a partir da lógica convencional do transporte rodoviário.

A viabilidade, segundo o executivo, depende do alinhamento entre as empresas para adequar custos e rotas. No projeto, a estratégia considera o uso de um combustível renovável gerado na mesma cadeia produtiva que fornece a matéria-prima transportada.

A ICC atua na produção de soluções à base de levedura de cana-de-açúcar para nutrição animal e mantém parcerias com usinas em diferentes regiões do Brasil. A companhia exporta para mais de 70 países e possui presença nos Estados Unidos, Europa e China.

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