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Exportações do agro atingem marca inédita, enquanto açúcar e etanol perdem espaço

Itaú BBA aponta receita de US$ 87 bilhões no primeiro semestre

As vendas externas do agronegócio brasileiro somaram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior resultado já registrado para o período. O desempenho representa crescimento de 6,1% em relação aos seis primeiros meses de 2025 e foi sustentado, principalmente, pelo avanço dos embarques de soja e proteínas animais, segundo levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Em junho, a receita alcançou US$ 16,6 bilhões, alta de 14% na comparação anual e recorde para o mês. De acordo com a consultoria, o crescimento ocorreu apesar do comportamento desigual dos preços entre as commodities, favorecido pelo aumento do volume exportado em diferentes cadeias produtivas.

Complexo sucroenergético perde ritmo

Na contramão do resultado geral, o complexo sucroenergético apresentou retração nas vendas externas. Os embarques de açúcar bruto totalizaram 10,8 milhões de toneladas no semestre, volume 3% inferior ao registrado um ano antes. O preço médio caiu 22%, para US$ 351,9 por tonelada, reduzindo a receita do produto.

O açúcar refinado também perdeu espaço no mercado internacional. As exportações recuaram 12%, para 1,5 milhão de toneladas, enquanto o preço médio diminuiu 19%, para US$ 415,4 por tonelada. No etanol, a queda foi ainda mais acentuada: os embarques somaram 349 mil m³, retração de 53% em relação ao primeiro semestre de 2025. Apesar disso, o preço médio avançou 7%, alcançando US$ 620,5 por m³.

Soja e carnes sustentam o desempenho

A soja permaneceu como principal produto da pauta exportadora do agronegócio brasileiro. As vendas de grãos alcançaram 69,6 milhões de toneladas, crescimento de 7% sobre igual período do ano passado, enquanto o preço médio subiu para US$ 418,7 por tonelada. O óleo de soja registrou aumento de 30% no volume exportado e o farelo avançou 11%.

Entre as proteínas animais, a carne bovina respondeu por um dos principais resultados positivos do semestre. Os embarques cresceram 16%, com receita de US$ 9,1 bilhões, favorecida também pela valorização dos preços médios. A carne de frango registrou expansão de 14% no volume exportado e a carne suína avançou 9%. Milho e algodão também ampliaram as vendas externas, com altas de 22% e 21%, respectivamente, enquanto o café verde apresentou retração de 17%.

China amplia participação

A China manteve a liderança entre os destinos dos produtos do agronegócio brasileiro e respondeu por 35% da receita obtida no semestre, equivalente a US$ 31 bilhões. A União Europeia permaneceu na segunda posição, enquanto os Estados Unidos reduziram sua participação, com queda de 25,2% no valor importado de produtos brasileiros. Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, o desempenho das exportações ao longo do segundo semestre continuará condicionado ao ritmo da demanda internacional, ao comportamento das cotações das commodities e ao avanço da produção brasileira, fatores que devem definir o espaço de cada cadeia nas vendas externas do país.

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