Visita à indústria amplia visão profissional de jovens da Canaoeste
Alunos do Vem Ser conhecem fábrica líder em transporte canavieiro
O contato direto com empresas do setor sucroenergético tem sido uma das estratégias do Projeto Vem Ser, da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), para aproximar jovens da realidade do mercado de trabalho. Na terça-feira (2), os participantes visitaram a Sergomel, fabricante de equipamentos para transporte de cana-de-açúcar localizada em Sertãozinho – SP e com mais de cinco décadas de atuação no segmento.
Durante a programação, os estudantes conheceram a trajetória da companhia, acompanharam o funcionamento da linha de produção e tiveram contato com tecnologias ligadas à automação e à robótica. A visita também incluiu conversas com executivos, colaboradores e com o fundador da empresa, Oswaldo Ilceu Gomes, que compartilhou sua experiência empreendedora.
Da oficina à liderança no setor
A história apresentada aos jovens começou em 1975, quando Gomes deixou o emprego para abrir uma pequena oficina de reparos utilizando ferramentas emprestadas. O empresário relatou que os primeiros anos foram marcados por dificuldades financeiras e pela busca constante por clientes.
A virada ocorreu após o desenvolvimento de uma carreta para o transporte de cana-de-açúcar. Depois de um período de testes em uma usina, a empresa recebeu um pedido de 22 unidades, marco que deu início à produção em escala. “Todo ano existe um desafio. O importante é não desistir no meio do caminho e continuar focado no objetivo”, afirmou o fundador aos estudantes.
Atualmente, a Sergomel emprega cerca de 400 colaboradores. Segundo o CEO, Marcos Dandaro, a trajetória construída pela família Gomes segue sendo uma referência para quem trabalha na empresa. “Eu fico emocionado quando olho essa história e vejo até onde ela chegou”, disse.
Mercado e oportunidades
Os participantes também receberam informações sobre a atuação da empresa no Brasil e no exterior. De acordo com o diretor administrativo, Adilson Rogério Gomes, a companhia responde por aproximadamente 58% da produção nacional de equipamentos voltados ao transporte canavieiro, além de realizar negócios em países da América do Sul e na Europa.
A diretora de marketing, Elaine Cristina Gomes Brasca, explicou que a empresa passa por um processo de consolidação da governança corporativa após a sucessão familiar e prepara novos investimentos para ampliar sua participação em outros segmentos de transporte. Segundo ela, o desenvolvimento de um novo equipamento voltado ao mercado rodoviário faz parte da estratégia de crescimento dos próximos anos.
Desenvolvimento além da sala de aula
Para o coordenador do Projeto de Responsabilidade Social da Canaoeste, Haroldo Luís Beraldo, experiências como essa ajudam os jovens a desenvolver competências que vão além do conteúdo teórico. Ele citou o caso de uma aluna que tinha dificuldade para se expressar em público e participar de atividades em grupo, mas que passou a demonstrar mais confiança ao longo das ações promovidas pelo programa.
Segundo Beraldo, as visitas técnicas complementam o trabalho realizado em sala ao aproximar os estudantes da realidade profissional e das oportunidades existentes na cadeia sucroenergética. “Nosso objetivo é mostrar aos jovens que eles podem construir diferentes trajetórias profissionais. Quando eles conhecem empresas, conversam com profissionais e veem a tecnologia aplicada na prática, passam a enxergar possibilidades que muitas vezes não conheciam. O projeto continua nessa direção, conectando educação, desenvolvimento pessoal e mercado de trabalho”, afirmou.
De acordo com o coordenador, as próximas atividades do Vem Ser Canaoeste incluirão novas visitas técnicas voltadas ao contato dos alunos com tecnologias utilizadas no campo e na agroindústria, ampliando o conhecimento sobre as transformações em curso no setor.
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