Clima global sustenta preços do açúcar
FG/A vê E32 como fator de equilíbrio para o mercado de biocombustíveis
A combinação entre incertezas climáticas nas principais regiões produtoras e mudanças no mercado doméstico de combustíveis marcou o início de julho para o setor sucroenergético. Segundo o Boletim de Commodities da FG/A, o risco de redução da oferta internacional deu sustentação às cotações do açúcar, enquanto a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina tende a fortalecer a demanda pelo biocombustível.
Mesmo com o avanço da safra brasileira, o mercado internacional voltou a incorporar um prêmio de risco climático. Ondas de calor na Europa e o atraso das monções na Índia aumentaram as dúvidas sobre a oferta global, impulsionando o açúcar bruto negociado em Nova York para 14,75 centavos de dólar por libra-peso, alta de 7% em relação ao mês anterior. Em reais, a cotação avançou 7,2%, para R$ 1.734 por tonelada, favorecida também pela valorização do dólar.
No Centro-Sul, a moagem alcançou 144,7 milhões de toneladas de cana até a segunda quinzena de maio, crescimento de 15,8% sobre igual período da safra anterior. O ATR médio chegou a 119,7 kg por tonelada e a produtividade aumentou 6,9%, indicando melhora dos canaviais além da antecipação do calendário de colheita.
Mesmo com esse desempenho, a participação do açúcar no mix de produção caiu para 41,4%, frente aos 50,1% registrados um ano antes. Como consequência, a produção de etanol de cana cresceu 25,2%, refletindo a preferência das usinas pelo biocombustível diante das condições atuais do mercado.
E32 pode reduzir excesso de oferta
No mercado doméstico, o etanol hidratado permanece pressionado pelo avanço da oferta. O indicador do Cepea para o produto posto Paulínia encerrou junho em R$ 2,24 por litro, o menor valor do ano, acumulando queda de 4,7% no mês. Nas bombas paulistas, o recuo foi de 2,1%, enquanto a paridade frente à gasolina ficou próxima de 59%, patamar considerado competitivo para estimular o consumo.
Segundo a FG/A, esse potencial, porém, ainda é limitado pela manutenção da subvenção sobre a gasolina, que reduz a competitividade do biocombustível. Nesse contexto, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro de 30% para 32%, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), passa a ser um importante vetor adicional de demanda. A consultoria estima que o E32 deverá acrescentar cerca de 600 milhões de litros de consumo de etanol anidro por ciclo. Embora o volume não elimine o excedente de oferta, a medida tende a reduzir a pressão sobre os preços e favorecer uma recuperação gradual das cotações ao longo da safra 2026/27. O comportamento do clima nas principais regiões produtoras e a evolução da safra brasileira seguirão entre os fatores que mais influenciarão esse cenário nos próximos meses.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: