Demanda por biodiesel impulsiona esmagamento de soja nos EUA
Alta no consumo de óleo amplia margens e reforça ritmo da indústria
O aumento da mistura obrigatória de biodiesel nos Estados Unidos vem fortalecendo a indústria de esmagamento de soja e sustentando a demanda pela oleaginosa. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, a decisão do governo norte-americano de elevar em cerca de 61% o volume obrigatório de biodiesel misturado ao diesel ampliou a procura por óleo de soja, elevou as margens de processamento e criou incentivos para novas expansões da capacidade industrial.
A mudança foi confirmada em março deste ano, após proposta apresentada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) em junho de 2025. Embora o percentual aprovado tenha ficado abaixo da proposta inicial, que previa alta de aproximadamente 67%, a elevação efetiva ainda representa um avanço expressivo para o consumo de matérias-primas destinadas aos biocombustíveis.
“O óleo de soja destaca-se como a principal matéria-prima para fabricação de biodiesel nos EUA. Ao final de março, o governo norte-americano definiu um aumento de aproximadamente 61% no volume, o que, embora tenha ficado um pouco abaixo da proposta, ainda assim resulta em um forte aumento”, afirma Luiz Fernando G. Roque, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Óleo ganha peso na rentabilidade da indústria
Os preços do óleo de soja vêm registrando valorização desde a divulgação da proposta da EPA e ganharam novo impulso com a alta do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. A confirmação da nova política de biodiesel reforçou esse movimento e ampliou a contribuição do óleo para a rentabilidade das indústrias de esmagamento.
Atualmente, o óleo de soja responde por cerca de 54% da margem obtida pelas processadoras norte-americanas, percentual superior ao observado em temporadas anteriores. O indicador reflete a importância crescente do produto dentro da cadeia e explica parte do interesse da indústria em ampliar o processamento da oleaginosa.
A margem de esmagamento — calculada pela diferença entre o valor obtido com a venda do óleo e do farelo e o custo da soja utilizada no processamento — atingiu os maiores níveis já registrados nos Estados Unidos. Segundo Roque, esse cenário oferece forte estímulo econômico para que as empresas mantenham o ritmo elevado de processamento.
Capacidade cresce e projeções podem subir
Os volumes processados já operam em níveis recordes, tanto nas estatísticas mensais quanto no acumulado da safra. Paralelamente, o parque industrial norte-americano segue em expansão, com ampliações em unidades existentes e novas plantas entrando em operação, como a recentemente inaugurada em Illinois, principal estado produtor de soja do país. Outros projetos também estão previstos para os próximos anos.
Na avaliação da Hedgepoint, esse cenário poderá levar o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a revisar para cima sua estimativa de esmagamento para a temporada 2026/27, atualmente projetada em 74,8 milhões de toneladas. A expectativa é que o processamento supere, em breve, a marca de 75 milhões de toneladas, acompanhando o avanço do consumo de óleo de soja e da demanda por biodiesel.
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