LDC transforma efluente cítrico em biogás em Bebedouro
Nova unidade prevê redução superior a 20% nas emissões de CO2
A Louis Dreyfus Company (LDC) avança com a implantação de uma unidade de biogás em Bebedouro – SP, projetada para transformar efluentes do processamento de frutas cítricas em energia renovável. A planta terá capacidade para tratar cerca de 400 m³ de efluentes por hora e produzir mais de 50 mil Nm³ de biogás por dia.
Com aproximadamente 195 mil m² de área construída, a unidade utilizará o biogás para substituir combustível fóssil empregado no processo industrial da fábrica de sucos da companhia. A estimativa da LDC é reduzir em mais de 20% as emissões de CO2 da operação no município.
O projeto busca dar uma destinação energética ao efluente gerado pela indústria cítrica, que apresenta elevada carga orgânica. A solução foi desenvolvida a partir de testes conduzidos pela companhia com especialistas da América Latina para encontrar microrganismos capazes de atuar nas características específicas desse material.
Tecnologia foi desenvolvida para tratar efluentes cítricos
A tecnologia utiliza um inóculo capaz de decompor a carga orgânica presente no efluente e, durante o processo, gerar biogás. Antes da definição do modelo adotado na planta, a LDC desenvolveu um projeto piloto para avaliar diferentes inóculos e medir o volume de gás produzido.
Além da geração de energia, o tratamento permitirá que 100% da água tratada seja devolvida aos recursos hídricos, segundo a companhia. Dessa forma, o processo combina o aproveitamento da matéria orgânica com o tratamento do efluente antes de seu retorno ao ambiente.
Combustível renovável será usado na própria fábrica
A produção será direcionada ao abastecimento da unidade industrial de Bebedouro. A substituição de combustível fóssil integra a estratégia da empresa para reduzir as emissões associadas ao processamento de sucos cítricos.
“Esse projeto contribui para o compromisso global da LDC na redução da emissão de CO2 na atmosfera, a partir da descarbonização da cadeia, além de reforçar nosso comprometimento de longo prazo com o setor citrícola do país e com as regiões onde a companhia opera, como em Bebedouro, onde atuamos há mais de 30 anos”, afirmou Paulo Hladchuk, Head Global da Plataforma de Sucos da LDC, na apresentação do projeto.
A operação de sucos da companhia no Brasil inclui mais de 30 mil hectares de pomares de cítricos, três fábricas de processamento e um terminal no Porto de Santos. O portfólio inclui sucos de laranja e de limões tahiti e siciliano, além de óleos, essências, casca seca e pellets de polpa cítrica.
O desenvolvimento da tecnologia que será empregada em Bebedouro foi precedido por testes com diferentes microrganismos. Segundo a LDC, a redução da carga orgânica do efluente foi adotada como um dos critérios para avaliar a viabilidade da solução.
“Testamos diferentes inóculos e estudamos seu comportamento, observando a quantidade de biogás gerada. Ao desenhar a planta, adotamos como critério de viabilidade a redução da carga orgânica do efluente de acordo com a porcentagem padrão de mercado. Nossos testes superaram em até 15% a meta estipulada pelo projeto”, ressaltou Juliana Pires, Head Global de Indústria e Qualidade da Plataforma de Sucos da LDC, por ocasião do lançamento da iniciativa.
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