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Bradesco reduz projeção do PIB para 1,7% em 2026

Agro deve crescer 3,8% neste ano, mas projeção aponta queda em 2027

A economia brasileira deve crescer 1,7% em 2026, abaixo da projeção anterior de 1,9%, segundo relatório da Pesquisa Econômica Bradesco divulgado nesta sexta-feira (18). Para 2027, a estimativa foi reduzida de 1,3% para 1,0%, em um cenário de perda de ritmo da atividade e efeitos mais visíveis dos juros elevados sobre consumo e crédito.

A desaceleração aparece mesmo após o Produto Interno Bruto avançar 0,5% no segundo trimestre. Segundo o relatório, o resultado foi sustentado principalmente pela indústria extrativa, favorecida pelos preços elevados do petróleo, e pela agricultura. Os componentes mais ligados ao ciclo econômico cresceram apenas 0,1%, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%.

Para a agropecuária, o Bradesco projeta crescimento de 3,8% em 2026, após avanço de 11,7% em 2025. A perspectiva muda no próximo ano, quando o setor deve registrar retração de 2,6%. Indústria e serviços devem crescer 1,2% e 1,6%, respectivamente, neste ano, com desaceleração para 1,1% e 1,2% em 2027.

Consumo e crédito perdem força

Os indicadores disponíveis para o terceiro trimestre reforçam a avaliação de perda de ritmo. A Pesquisa Econômica Bradesco espera PIB próximo da estabilidade no período e aponta resultados abaixo do esperado nas pesquisas mensais do IBGE, além de sinais de desaceleração no mercado de trabalho.

Mesmo com desemprego baixo e expansão da renda, o consumo das famílias permanece abaixo de sua média histórica. O relatório relaciona esse comportamento ao endividamento das famílias e ao nível elevado dos juros, que têm reduzido a capacidade das medidas de estímulo de sustentar o crescimento.

A projeção é de crescimento de 1% do consumo privado neste ano e de 1,2% em 2027. Os investimentos devem avançar 1,6% em 2026 e apenas 0,7% no próximo ano. A taxa média de desemprego é estimada em 5,5% neste ano e 6,1% em 2027.

O crédito também apresenta perda de força. As concessões de recursos livres para pessoas físicas e empresas vêm desacelerando em meio ao aumento da inadimplência. O relatório avalia ainda que eventuais medidas macroprudenciais para conter o superendividamento das famílias podem reforçar esse movimento.

Inflação desacelera e abre espaço para novos cortes

A Pesquisa Econômica Bradesco projeta inflação de 4,9% em 2026 e de 4,1% em 2027. Após pressões provocadas por alimentos e derivados de petróleo no começo do ano, parte desses efeitos perdeu força, embora o relatório veja possibilidade de novas pressões relacionadas ao El Niño e ao cenário internacional.

Com a desaceleração da atividade e a expectativa de relativa estabilidade do câmbio, o Bradesco passou a incorporar novos cortes da Selic em seu cenário. A projeção é de taxa básica de 13,25% ao fim de 2026 e 11% em 2027. O câmbio é estimado em R$ 5 por dólar no encerramento deste ano e R$ 5,20 no próximo.

No comércio exterior, o relatório estima exportações de US$ 379 bilhões e importações de US$ 302 bilhões em 2026. A projeção para o saldo da balança comercial é de US$ 77,4 bilhões neste ano e US$ 75,8 bilhões em 2027.

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