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Canaoeste destaca redução de custos e avanços da biofábrica na Fenasucro

Associação apresentou resultados da CanaoesteBio e discutiu margens do produtor

A redução dos custos de produção e a busca por eficiência estiveram no centro do encontro promovido pela Canaoeste nesta terça-feira (11), durante a Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho – SP. Em um cenário de preços mais pressionados para a cana, a associação apresentou resultados da CanaoesteBio e discutiu alternativas para preservar as margens no campo.

Na abertura, o vice-presidente da Canaoeste, Marco Roberto Guidi, afirmou que o momento exige atenção às alternativas capazes de preservar a rentabilidade. Entre elas, citou os produtos biológicos disponibilizados pela associação. “Os produtos da biofábrica têm apresentado bons resultados no campo e um custo bastante competitivo. É uma das soluções que a Canaoeste traz para ajudar o produtor a reduzir custos sem comprometer a produção”, afirmou.

O diretor executivo da Canaoeste, Almir Torcato, destacou que parte relevante das despesas da atividade não acompanha a queda da remuneração da cana. Insumos, mão de obra, arrendamentos e operações agrícolas continuam pesando sobre o resultado, enquanto açúcar e etanol enfrentam condições de mercado menos favoráveis.

Segundo ele, esse quadro reforça a importância de ações coletivas que permitam ao produtor acessar tecnologia e reduzir despesas. “O dever de uma associação, além de defender a cadeia, é buscar estratégias que impactem diretamente o custo de produção do associado, para que ele tenha margem e eficiência para permanecer no mercado”, afirmou.

Mercado exige atenção às margens

Torcato também apresentou um panorama das condições que devem influenciar a rentabilidade do produtor nas próximas safras. Segundo ele, além do comportamento dos preços do açúcar e do etanol, o resultado dependerá da produtividade no campo e de fatores políticos e institucionais que afetam o ambiente de negócios do setor.

A perspectiva de aumento da produção de toneladas de cana por hectare pode ajudar a compensar parte da retração dos preços, ao diluir custos e reduzir o impacto sobre as margens. Ainda assim, Torcato avalia que o produtor deverá enfrentar um período mais desafiador nos próximos dois anos.

Para o diretor, esse cenário exige maior controle sobre custos e decisões financeiras, sem perder de vista uma possível recuperação do mercado. “Temos que trazer um lado positivo e esperançoso, mas continuar com um olhar duro de percepção, controle e gestão, tomando a decisão mais coerente no aspecto financeiro”, ressaltou.

Torcato afirmou ainda que a atuação conjunta dos produtores e das entidades representativas será importante para atravessar esse período. A avaliação é que as dificuldades devem permanecer no curto prazo, mas ganhos de produtividade e uma gestão mais rigorosa podem ajudar a preservar as margens até uma melhora das condições de mercado.

O CEO da ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil, José Guilherme Nogueira, participou do encontro e chamou a atenção para medidas em discussão em Brasília que podem afetar a competitividade do setor. Entre elas, citou os efeitos da política de preços da gasolina sobre a remuneração do etanol, além de propostas relacionadas à mistura do biocombustível e ao RenovaBio.

De acordo com Nogueira, a atuação das entidades representativas ganha importância diante das pautas que podem interferir no mercado. “A gente precisa da força dos produtores e das associações para trazer clareza e direcionamento sobre o que queremos do governo federal e do Parlamento”, disse.

Ele também abordou as discussões em torno do Consecana, incluindo questões de governança e auditoria, e lembrou que a próxima revisão do modelo está prevista para 2030, com os debates preparatórios a partir de 2029.

Biofábrica chega a 150 mil hectares

A CanaoesteBio completou dois anos de operação em agosto. Nesse período, os produtos biológicos fornecidos aos associados foram aplicados em mais de 150 mil hectares. Em 2025, foram mais de 80 mil hectares e, em 2026, a área já supera 45 mil hectares.

O gestor operacional de Bioprodutos da Canaoeste, André Bosch Volpe, informou que a diferença entre os valores praticados pela biofábrica e os encontrados no mercado proporcionou economia acumulada de cerca de R$ 2,2 milhões aos associados. A operação é exclusiva para produtores vinculados à associação e integra o fornecimento dos produtos ao acompanhamento agronômico realizado no campo.

Atualmente, o portfólio reúne CanaBoveBio, voltado ao manejo de Sphenophorus levis, CanaMetaBio, utilizado contra a cigarrinha-das-raízes, e ProtecBio, direcionado ao manejo de nematoides. Em 2026, as aplicações já superam 25 mil hectares com CanaBoveBio, 12 mil hectares com CanaMetaBio e 10 mil hectares com ProtecBio.

A biofábrica passa por uma ampliação que deverá dobrar sua capacidade produtiva. De acordo com Volpe, a estrutura ficará próxima de 150 mil litros por ano, volume suficiente para atender cerca de 300 mil hectares anualmente, considerando os três produtos atuais.

A expansão também permitirá internalizar a produção do ProtecBio a partir do próximo ano e abrir espaço para o desenvolvimento de novos produtos. A associação avalia alternativas nas linhas de biofungicidas e bioestimulantes.

“Mais do que ser sustentável, a gente quer ser eficiente. Não dá para ser sustentável sem ter eficiência”, afirmou Volpe. Segundo ele, quatro equipes de campo realizam levantamentos de pragas, doenças e parâmetros agronômicos nas propriedades para subsidiar as recomendações aos associados.

Canaoeste Green

O encontro incluiu ainda uma apresentação do gestor operacional de Sustentabilidade da Canaoeste, Fábio de Camargo Soldera, sobre o Canaoeste Green. O programa calcula as emissões geradas pelas empresas participantes da feira e realiza a compensação por meio de áreas de vegetação nativa preservadas em propriedades de associados.

Nesta edição, mais de 15 empresas aderiram à iniciativa. Segundo Soldera, 154,9 mil quilos de CO₂ gerados na montagem dos estandes serão compensados em 59,8 hectares de vegetação nativa. “Buscamos ampliar o programa a cada ano para que mais empresas participem”, afirmou.

Além dos estandes das empresas participantes, as áreas comuns da Fenasucro & Agrocana também terão suas emissões compensadas. O volume total será calculado após o encerramento da feira, quando será possível contabilizar as emissões geradas durante os quatro dias do evento.

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