Manutenção antecipada reduz risco de paradas durante a safra
Revisão na entressafra permite identificar desgastes e planejar reparos
A manutenção preventiva de máquinas agrícolas durante a entressafra pode reduzir o risco de paradas não programadas e evitar que problemas simples comprometam a operação no campo. A revisão antecipada permite identificar desgastes, organizar a compra de peças e testar os equipamentos antes do início de uma nova safra.
A avaliação envolve tratores, plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras e deve considerar tanto os componentes mecânicos quanto os sistemas eletrônicos. A estratégia é aproveitar o período de menor utilização das máquinas para realizar intervenções que, durante a safra, poderiam representar perda de tempo e aumento de custos.
“A revisão pré-safra dá ao produtor algo que ele quase nunca tem durante a operação, tempo para decidir. Quando um desgaste é identificado com a máquina parada na fazenda ou na concessionária, ainda é possível planejar a compra de peças, reservar mão de obra, organizar o transporte e testar o equipamento depois do reparo”, afirma Vinícius Oliveira, gerente de Marketing de Serviços da AGCO América Latina.
Problemas como rolamentos com aquecimento, mangueiras ressecadas, filtros saturados e baterias enfraquecidas tendem a exigir intervenções menores quando identificados antecipadamente. Sem manutenção, no entanto, essas falhas podem atingir outros componentes e resultar em reparos mais demorados.
Inspeção muda conforme o tipo de equipamento
A revisão tem uma base comum, que inclui motor, combustível, lubrificação, arrefecimento, filtros, transmissão, sistema hidráulico, parte elétrica, bateria, pneus, freios, direção, vazamentos, proteções e códigos de falha. A partir dessa etapa, a inspeção deve considerar as características de cada máquina.
Nos tratores, entram na avaliação itens como transmissão, embreagem, tomada de potência, comandos hidráulicos, direção, freios, pneus, lastro e engates. Nas plantadeiras, a atenção se volta para discos de corte, sulcadores, rolamentos, correntes, dosadores, tubos condutores, sistema pneumático, sensores e calibração de sementes e fertilizantes.
Pulverizadores exigem a verificação de bomba, filtros, mangueiras, bicos, válvulas, barras, pressão, vazão, sensores e calibração da aplicação. Nas colheitadeiras, a lista inclui sistema de corte, canal alimentador, correias, correntes, rolamentos, sistemas de trilha, separação e limpeza, circuitos hidráulicos, sensores e pontos de acúmulo de resíduos.
“Muitas paradas começam com sinais conhecidos, correias trincadas ou fora de tensão, rolamentos com folga ou temperatura elevada, filtros saturados, radiadores e telas sujos, mangueiras deterioradas, vazamentos, terminais de bateria oxidados, falhas de carregamento e combustível contaminado”, diz Oliveira.
Planejamento deve começar ainda na entressafra
A recomendação é iniciar a revisão assim que o equipamento for liberado da operação anterior. O planejamento deve partir da data prevista para o retorno ao campo e considerar o tempo necessário para inspeção, diagnóstico, chegada de peças, execução dos serviços e testes.
Frotas maiores, equipamentos sem máquinas reservas e colheitadeiras sujeitas a intervenções mais complexas devem ter prioridade. Deixar a revisão para os dias que antecedem o início das operações aumenta a dependência da disponibilidade das oficinas e dos prazos de fornecimento de componentes.
A manutenção programada também permite realizar regulagens e corrigir condições que podem elevar o esforço da máquina. Filtros limpos, pneus calibrados e sistemas de arrefecimento em boas condições contribuem para que o equipamento opere dentro dos parâmetros previstos, evitando consumo e desgaste desnecessários.
Sistemas de precisão também exigem atenção
A revisão deve alcançar ainda os recursos de agricultura de precisão. Pilotos automáticos, monitores, sensores e softwares dependem inicialmente de um sistema elétrico em boas condições, já que falhas de bateria, alternador, aterramento ou conexão podem gerar códigos de erro e ser confundidas com problemas eletrônicos ou de software.
Terminais, receptores, antenas de posicionamento, câmeras, unidades eletrônicas e comunicação com implementos também precisam ser verificados. Calibrações e versões de software devem ser conferidas de acordo com cada equipamento, com preservação de mapas, parâmetros e outros dados antes das intervenções.
Depois dos reparos, a máquina deve atingir a temperatura normal de trabalho e passar por um teste funcional. Sempre que possível, a avaliação deve ser feita com a plataforma ou o implemento que será utilizado no campo. É nessa condição que podem surgir vazamentos sob pressão, aquecimento e falhas intermitentes que não aparecem com o equipamento parado.
O acompanhamento continua durante a safra. Alterações de ruído, vibração, temperatura, potência ou qualidade do trabalho podem indicar problemas em desenvolvimento. Com a redução do intervalo entre a revisão e a retomada das operações, o planejamento da manutenção tende a ganhar peso para evitar que falhas previsíveis comprometam o ritmo das máquinas nos períodos de maior demanda.
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