Açúcar ganha força enquanto etanol segue pressionado
Dúvidas sobre moagem sustentam açúcar e estoques pesam sobre etanol
Os mercados de açúcar e etanol atravessam momentos distintos, com o adoçante ganhando força diante das incertezas sobre a moagem brasileira e de riscos climáticos em importantes regiões produtoras. O biocombustível, por outro lado, permanece pressionado pelos estoques elevados, segundo análise mais recente da XP Banco de Atacado no Radar Agro.
No açúcar, as dúvidas em relação ao desempenho da moagem no Brasil passaram a dar sustentação às cotações. O cenário externo também contribui para esse movimento, diante dos riscos climáticos globais que podem afetar a oferta e alterar as expectativas para o balanço mundial da commodity.
Para o etanol, o ambiente permanece menos favorável. Os estoques elevados continuam limitando uma recuperação mais consistente do mercado, embora a perspectiva para os próximos meses indique condições mais favoráveis ao mix açucareiro.
Açúcar encontra suporte em incertezas sobre oferta
A diferença de comportamento entre os dois mercados ocorre em um período no qual as decisões de produção no setor sucroenergético seguem acompanhadas de perto. As condições da moagem brasileira e os possíveis impactos do clima sobre a oferta global ganharam peso na formação das expectativas para o açúcar.
No caso do etanol, a disponibilidade elevada mantém a pressão sobre o mercado. A evolução dos estoques e das condições de produção será determinante para definir a trajetória do biocombustível nos próximos meses, enquanto o açúcar encontra maior sustentação nas preocupações relacionadas à oferta.
O Radar Agro também chama atenção para o mercado de grãos. Nos Estados Unidos, as expectativas estão concentradas no relatório WASDE, diante da possibilidade de revisões para baixo nas estimativas de produtividade agrícola, principalmente para milho e algodão.
A eventual redução ocorre em um cenário no qual as demandas doméstica e global permanecem firmes, fator que pode limitar parte da pressão provocada pela perspectiva de oferta. As novas estimativas para as lavouras americanas, portanto, tendem a influenciar o comportamento dos mercados agrícolas.
Oferta americana mantém grãos no radar
Além dos grãos e do setor sucroenergético, a análise aponta mudanças no mercado de proteínas. Os embarques de bovinos passaram por uma redistribuição de volumes para outros destinos após a redução das compras chinesas, movimento que pode pressionar tanto os preços domésticos quanto os de exportação.
Para o setor sucroenergético, as próximas semanas devem manter as atenções concentradas no ritmo da moagem brasileira, no comportamento dos estoques de etanol e nas condições climáticas globais. A combinação desses fatores poderá definir se a sustentação observada no açúcar ganha continuidade e em que momento o mercado de etanol encontrará espaço para reduzir a pressão atual.
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