Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Açúcar e etanol ganham força com oferta menor no Centro-Sul

Itaú BBA reduz projeções da safra e vê melhora no mercado de etanol

A menor disponibilidade de açúcar e etanol no Centro-Sul, acompanhada pela recuperação das cotações, mudou as perspectivas para o setor sucroenergético. No Agro Mensal de setembro, o Itaú BBA reduziu suas estimativas para a safra 2026/27 e apontou melhora na remuneração do biocombustível, enquanto o clima e o mercado de fertilizantes seguem entre os fatores de atenção.

A produção de açúcar no Centro-Sul foi estimada em 38,9 milhões de toneladas, 400 mil toneladas abaixo da previsão anterior. A moagem passou de 644,8 milhões para 639,7 milhões de toneladas, enquanto o ATR foi revisado de 138,3 para 136,4 quilos por tonelada de cana-de-açúcar.

O ajuste reflete a menor moagem e a piora na qualidade da matéria-prima, influenciada pelo excesso de chuvas e pelo nível de impurezas. Mesmo com o mix açucareiro elevado de 46,2% para 46,8%, esses fatores limitaram a produção. Para o Itaú BBA, a baixa qualidade da cana-de-açúcar é o principal limitante da produção de açúcar no ciclo.

Açúcar sobe e déficit global aumenta

No mercado internacional, o contrato número 11 com vencimento em outubro alcançou média de 17,7 centavos de dólar por libra-peso nos 30 dias encerrados em 11 de setembro. A valorização atingiu toda a curva futura, em um ambiente influenciado pelos fundamentos do açúcar e por fatores macroeconômicos e geopolíticos.

No Brasil, a produção acumulada entre abril e 16 de agosto ficou 2,7 milhões de toneladas abaixo do mesmo período de 2025. No mercado global, a nova estimativa para o Centro-Sul, somada a revisões para América Central, Estados Unidos e Austrália, levou o Itaú BBA a ampliar para 2,1 milhões de toneladas o déficit projetado para 2026/27.

Os fundos também mudaram de posição no período. Depois de manterem exposição líquida vendida, passaram para uma posição comprada de 238.684 contratos em 1º de setembro, patamar que não era registrado desde janeiro de 2023. Apesar desse cenário, o relatório ressalta que uma valorização sustentada além dos níveis atuais depende da recuperação da demanda física.

A revisão da safra também atingiu o etanol. A estimativa de produção total no Centro-Sul caiu de 38,5 bilhões para 37,7 bilhões de litros. No produto derivado da cana-de-açúcar, a projeção passou de 28,2 bilhões para 27,3 bilhões de litros, enquanto a produção de milho foi elevada de 10,3 bilhões para 10,4 bilhões.

Etanol recupera preço e demanda avança

Nas usinas paulistas, o preço do hidratado passou de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 na semana encerrada em 11 de setembro. Mesmo após a valorização, a paridade com a gasolina permaneceu abaixo de 60% no Estado de São Paulo.

O movimento ocorreu em meio à alta do açúcar, ao aumento do consumo doméstico e às interrupções de moagem provocadas pelas chuvas. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de hidratado, recorde para o mês.

O relatório também acompanha mudanças regulatórias. Entre elas está a previsão de testes para avaliar a viabilidade técnica de elevar para 35% a mistura de etanol na gasolina. Segundo o Itaú BBA, a medida teria potencial para acrescentar entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros à demanda anual de anidro.

Chuvas avançam de forma irregular no Brasil Central

Depois de um agosto predominantemente seco e quente, as chuvas começaram a retornar no início de setembro em áreas de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e outras regiões do Centro-Oeste e Sudeste. As precipitações, porém, ocorreram de forma irregular e localizada, sem caracterizar o estabelecimento definitivo da estação chuvosa.

Para as semanas seguintes, os modelos indicavam avanço das precipitações sobre partes do Centro-Oeste, Sudeste e Norte. A regularização das chuvas será importante para o plantio da safra de verão, enquanto no Sul o excesso de umidade mantém riscos para o trigo, principalmente pela maior pressão de doenças e possíveis efeitos sobre a qualidade dos grãos.

Fertilizantes sentem aumento das tensões externas

No mercado de fertilizantes, as tensões no Oriente Médio elevaram as preocupações com logística e abastecimento. Os nitrogenados registraram valorização, enquanto os fosfatados foram influenciados por uma demanda doméstica mais contida e os potássicos apresentaram maior estabilidade.

A ureia foi negociada a US$ 468 por tonelada no CFR Brasil e o sulfato de amônio, a US$ 242,50. Entre janeiro e agosto, as importações de ureia somaram 2,8 milhões de toneladas, queda de 23% em relação ao mesmo período de 2025. No sulfato de amônio, houve recuo de 13%, para 3,3 milhões de toneladas.

O MAP foi indicado a US$ 838 por tonelada no CFR Brasil. As importações alcançaram 1,98 milhão de toneladas desde o início do ano, 18% abaixo do mesmo intervalo de 2025. Já o KCl foi negociado a US$ 365 por tonelada, com importações de 9,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, redução de 3% na comparação anual.

Para a safra de verão, as compras de potássicos e nitrogenados estavam praticamente concluídas nas principais regiões produtoras, enquanto ainda havia volumes relevantes de fosfatados a serem adquiridos no Sul e no Sudeste.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *