Açúcar do Centro-Sul deve fechar safra abaixo de 2025/26
Rabobank aponta mix mais alcooleiro apesar da expectativa de moagem elevada
A produção de açúcar do Centro-Sul deve recuar na safra 2026/27, mesmo com a expectativa de um volume elevado de cana-de-açúcar disponível para processamento. A avaliação é do Rabobank, que considera “quase certo” um resultado inferior ao registrado no ciclo anterior.
Até o fim de julho, a região havia produzido 16,9 milhões de toneladas de açúcar, ante 19,2 milhões de toneladas no mesmo período da safra passada. As projeções para a moagem, por sua vez, permanecem entre 630 milhões e 645 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, favorecidas pelas chuvas de maio e junho.
O direcionamento da matéria-prima para o etanol ajuda a explicar essa diferença. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) citados pelo banco apontam mix açucareiro de 42,5% entre abril e junho. Informações do Ministério da Agricultura até o fim de julho indicavam cerca de 44% no acumulado entre abril e julho.
Em um cenário de moagem de 640 milhões de toneladas, com qualidade da cana semelhante à observada na temporada anterior, o Rabobank calcula que a parcela destinada ao açúcar teria de alcançar 53% entre agosto e o encerramento da safra para igualar as 40,4 milhões de toneladas produzidas em 2025/26. “Dado o mix e a moagem até hoje, é quase certo que a produção de açúcar caia em 2026/27, a questão é por quanto”, afirma a análise.
Preços podem alterar decisão das usinas
A recuperação das cotações internacionais abre espaço para uma mudança na destinação da matéria-prima nos próximos meses. Depois de permanecer durante meses ao redor de 14,5 centavos de dólar por libra-peso, o açúcar bruto negociado em Nova York avançou em meados de agosto e atingiu o maior nível do ano até então.
O contrato para outubro fechou em 17,5 centavos de dólar por libra-peso no dia 19 de agosto, enquanto os vencimentos de março e maio de 2027 superaram 18 centavos. A valorização foi de aproximadamente 20% em dólar em relação à média dos três meses anteriores e chegou a 23% em reais, também influenciada pela desvalorização da moeda brasileira.
Como o nível de fixação de preços para 2026/27 permanece relativamente baixo, o Rabobank avalia que a recuperação das cotações permite às usinas responder à mudança na relação entre açúcar e etanol. Preços mais favoráveis ao adoçante podem, assim, estimular uma elevação do mix açucareiro no restante da temporada.
Índia e clima entram no radar
No mercado internacional, a Índia também contribuiu para o movimento recente das cotações. Diante da alta dos preços domésticos, o país autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar. Paralelamente, monções abaixo da média elevaram as preocupações com a produção indiana de cana e açúcar na safra 2026/27, que começa no quarto trimestre.
Segundo o Rabobank, os acontecimentos no Brasil e na Índia estimularam um reposicionamento dos fundos e reforçaram a alta. O banco pondera, porém, que vendas de produtores em níveis que não eram observados ao longo da curva havia mais de um ano podem limitar novos avanços caso não apareçam outros fatores de sustentação.
O clima será outro ponto de atenção. A moagem no Centro-Sul já sofreu interrupções associadas às chuvas de maio e junho, e condições atípicas daqui para frente podem aumentar o risco de não haver tempo suficiente para colher toda a cana disponível no campo. Nesse caso, projeções para o volume de açúcar brasileiro destinado à exportação poderão ser revistas.
No etanol, os preços começaram a apresentar reação em agosto. O Rabobank afirma que ainda não está claro se o movimento decorre principalmente da valorização do açúcar ou de uma melhora da demanda nos postos, após um período prolongado de elevada competitividade do biocombustível frente à gasolina.
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