Motor a etanol supera meta de eficiência em termelétrica
Equipamento de 4 MW alcançou índice de até 43% durante testes em Suape
Um motogerador desenvolvido para operar majoritariamente com etanol alcançou eficiência entre 42% e 43% na primeira fase de testes realizada na planta da Suape II. O resultado ficou acima da meta inicial, de 39% a 40%, após 50 horas de operação.
Com capacidade instalada de 4 MW, o equipamento integra projeto liderado pela Savana Holding em parceria com a finlandesa Wärtsilä. Segundo as empresas, o índice obtido se aproxima dos motores termelétricos a diesel mais eficientes, que operam com taxas entre 48% e 49%.
O projeto recebeu investimento inicial de R$ 60 milhões e busca desenvolver o uso do etanol como combustível para geração termelétrica. O equipamento instalado em Suape é apresentado pelas empresas como o primeiro motogerador a etanol de médio porte do mundo.
Projeto prevê expansão da capacidade
Após a conclusão dos testes de desempenho e confiabilidade, a Savana pretende ampliar o projeto para pelo menos 600 MW de capacidade instalada. Segundo a companhia, esse volume seria suficiente para abastecer mais de 2 milhões de famílias.
A energia produzida deverá ser conectada ao Sistema Interligado Nacional, o SIN. No financiamento do motor, a Savana participa com 80% e a Petrobras com 20%. A Wärtsilä doou metade dos equipamentos, enquanto a Suape II assumiu a outra metade, além dos custos de serviços e compras locais.
Carlos Mansur, vice-presidente da Savana Holding, avalia que a cadeia logística já estruturada do etanol favorece o avanço do biocombustível em novas aplicações, incluindo a geração de energia elétrica.
Na frente ambiental, a estimativa apresentada pelas empresas é de redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com o diesel ao longo do ciclo de vida. Também são esperadas emissões menores de óxidos de nitrogênio e material particulado.
O motogerador permanece em operação assistida, etapa destinada a avaliar sua viabilidade técnica em condições operacionais. José Faustino, CTO da Suape Energia, considera os testes parte da avaliação da competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis.
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