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Etanol amplia espaço em novas frentes de descarbonização

São Paulo produziu 12 bilhões de litros em 2025 e respondeu por 33% do volume nacional

A expansão do etanol para novos mercados, aliada à competitividade do combustível no Estado de São Paulo, abre novas frentes para o setor sucroenergético. O cenário foi discutido na segunda reunião de 2026 do Conselho Estadual de Política Energética (CEPE), que reuniu representantes do setor produtivo, entidades e especialistas.

São Paulo permanece como o maior produtor de etanol do país. Em 2025, foram produzidos 12 bilhões de litros no Estado, volume equivalente a 33% da produção brasileira, segundo Laís Almada, diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

Além da produção, o mercado paulista se destaca pela competitividade do biocombustível na bomba. Entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, abastecer com etanol foi mais vantajoso do que utilizar gasolina comum em 37 dos 44 meses analisados, considerando a referência de paridade de 70% e dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Durante a safra de cana-de-açúcar, a oferta de etanol aumenta e o biocombustível tende a ficar ainda mais vantajoso no Estado”, afirmou Laís. Segundo ela, a combinação entre produção competitiva e diferencial tributário levou São Paulo a registrar, em agosto, o menor preço do etanol hidratado do país.

Novos mercados ampliam potencial do etanol

A abertura de novas frentes de consumo também entrou no debate. Luciano Rodrigues, diretor de economia e inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), destacou o potencial de crescimento conjunto do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho.

As usinas associadas à entidade respondem por mais de 54% da produção nacional de cana, 51% do etanol, 52% do açúcar e quase metade da bioeletricidade ofertada ao Sistema Interligado Nacional. No etanol de milho, as associadas representam 34% da produção.

Outra possibilidade está na combinação entre eletrificação e biocombustíveis. O Estado adotou incentivos para veículos híbridos flex ou movidos a etanol, com alíquota de IPVA zerada em 2025 e 2026 e retomada gradual da cobrança até 2030.

Para Rodrigues, o híbrido flex permite combinar a eficiência do motor elétrico com o uso de uma fonte renovável. “Essa tecnologia une a alta eficiência da eletricidade com as baixas emissões de um combustível renovável, como o etanol”, afirmou.

Biometano ganha espaço nas usinas paulistas

A diversificação das usinas também avança com o biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, como vinhaça e torta de filtro. Segundo os dados apresentados no encontro, o combustível pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa no transporte pesado em comparação ao diesel.

O setor sucroenergético já responde por 44% da capacidade instalada de biometano em São Paulo. Ao mesmo tempo, o Estado concentra 82% da capacidade nacional de produção do combustível ligada ao setor. Atualmente, quatro usinas operam em território paulista, de um total de sete no país.

O transporte marítimo aparece como outra possibilidade de expansão para os biocombustíveis. O segmento responde por cerca de 3% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e busca alternativas para reduzir sua intensidade de carbono.

O comandante Flávio Haruo Mathuiy, da Marinha do Brasil, afirmou que o país pode atender tanto à demanda doméstica dos navios quanto ao mercado internacional, mas ressaltou a necessidade de infraestrutura para distribuição e armazenamento nos portos e do reconhecimento internacional da sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiros.

A expectativa é de melhora de 40% na eficiência energética dos navios até 2030. Ainda assim, segundo Mathuiy, o cumprimento das metas internacionais deverá exigir volumes elevados de combustíveis de baixa emissão de carbono. “Poderá criar um novo e importante mercado para os biocombustíveis, em especial, para o etanol, trazendo grandes oportunidades para os produtores brasileiros”, afirmou.

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