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Mulheres já são 40% dos decisores rurais no Brasil

Maior qualificação e uso de tecnologia ampliam espaço feminino na gestão

As mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de decisores rurais identificados no Brasil, em um movimento acompanhado pelo avanço da escolaridade, da participação na gestão e do uso de tecnologia nas propriedades. Os dados fazem parte do Perfil Mulher Agro 2026, divulgado na sexta-feira (2), em São Paulo – SP, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).

O levantamento atualiza, dez anos depois, o primeiro diagnóstico sobre a presença feminina no campo realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio. O estudo tem correalização da Serasa Experian, pesquisa da Fran6 Pesquisa e patrocínio do Sistema Faesp Senar.

A análise da Serasa Experian considerou como decisores rurais pessoas físicas ligadas a imóveis rurais, operações de crédito ou atividades de comercialização. Os dados mostram ainda diferenças entre as produtoras conforme região, idade, atividade, porte e condições de produção.

No crédito, a inadimplência entre as mulheres ficou em 6,8%, abaixo dos 10,8% registrados entre os homens. Entre grandes proprietárias, a taxa foi de 6,85%, enquanto as produtoras da Região Sul apresentaram índice de 5,4%.

Os dados socioambientais também mostram diferenças. Entre as ocorrências de trabalho escravo analisadas, 77% estavam associadas a CPFs masculinos e 5% a femininos. Nos registros de desmatamento do Prodes, as participações foram de 67% e 20%, respectivamente.

Escolaridade avança em uma década

A pesquisa quantitativa comparou 300 mulheres entrevistadas em 2015 com 311 participantes da edição atual. Nesse intervalo, a parcela com pós-graduação passou de 24% para 46%, enquanto a proporção com ensino superior completo avançou de 60% para 77%.

A maior formação veio acompanhada de mudanças na administração das propriedades. Atualmente, 91% das entrevistadas são proprietárias total ou parcialmente do negócio rural, percentual 10 pontos acima do registrado há uma década.

As responsabilidades também se espalharam por diferentes áreas. Além da administração geral, as mulheres ganharam espaço em recursos humanos, produção, finanças, comercialização e marketing. Nesta última área, a participação avançou 25 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

A pesquisa também incluiu 25 entrevistas qualitativas em profundidade com produtoras, pecuaristas e representantes da agroindústria de diferentes regiões. Os relatos apontaram desafios relacionados a barreiras culturais e à dupla jornada, além da importância das redes de apoio e do cooperativismo.

“O acesso à capacitação técnica e à informação amplia as condições para que elas assumam novas responsabilidades, desenvolvam seus negócios e participem de forma ainda mais ativa das organizações do setor”, afirmou Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp.

Tecnologia amplia autonomia nas propriedades

A incorporação de ferramentas digitais também ganhou espaço na gestão rural. Segundo o estudo, 71% das gestoras utilizam drones, telemetria, sistemas de gestão e outras soluções tecnológicas de maneira independente ou parcialmente independente.

As redes sociais passaram a ter papel relevante nesse processo. Cerca de 70% das entrevistadas consideram esses canais importantes para os negócios, com utilização voltada à divulgação da produção, da administração e da rotina das propriedades.

A maior participação na gestão, no entanto, não eliminou as barreiras de gênero. O levantamento identificou aumento da percepção de discriminação entre as entrevistadas, movimento atribuído tanto à permanência de comportamentos preconceituosos quanto à maior consciência das produtoras sobre seus direitos e sua atuação profissional.

Mais de dois terços das mulheres pesquisadas são reconhecidas como lideranças em suas comunidades. A presença feminina também avançou nos programas de capacitação rural. Em 2025, pela primeira vez em 33 anos, as mulheres responderam por mais de 53% das pessoas capacitadas pelo Senar.

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