Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Nematoides exigem manejo estratégico nas soqueiras da cana

Pesquisadora do IAC defende controle integrado e aplicação no momento certo

Os nematoides ainda recebem menos atenção do que outras pragas da cana-de-açúcar, mas podem limitar a produtividade tanto quanto, ou até mais, que o Sphenophorus levis. O alerta foi feito pela pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), Leila Luci Dinardo-Miranda, durante a palestra “Nematóides dos gêneros Pratylenchus e Meloidogyne são mais impactantes do que o Sphenophorus? Como controlá-los nas soqueiras?”, apresentada no InsectShow 2026, do Grupo Idea, realizado em 22 de julho, em Ribeirão Preto – SP. O evento reuniu pesquisadores, empresas e produtores para discutir inovação no controle fitossanitário da cultura.

Para a pesquisadora, um dos principais erros é analisar cada problema de forma isolada. O controle do Sphenophorus levis, da cigarrinha ou da broca é importante, mas a soqueira só recupera seu potencial quando consegue emitir novas raízes e perfilhos. Se o sistema radicular estiver comprometido pelos nematoides, a planta perde capacidade de absorver água e nutrientes, reduz o vigor e dificilmente alcança o rendimento esperado.

Raízes saudáveis sustentam a recuperação da lavoura

Durante a apresentação, Leila mostrou que os nematoides atacam justamente as radicelas, responsáveis pela absorção de praticamente toda a água e dos nutrientes utilizados pela planta. Com essas estruturas danificadas, a emissão de novos perfilhos fica comprometida e a recuperação da soqueira torna-se mais lenta, mesmo quando outras pragas já foram controladas.

Segundo ela, o manejo deve começar pela melhoria das condições de cultivo, com adubação e calagem adequadas, escolha de variedades adaptadas ao ambiente de produção, uso de matéria orgânica e rotação de culturas durante a reforma do canavial. Essas práticas favorecem o desenvolvimento da planta, mas não reduzem, por si só, a população de nematoides. Atualmente, as ferramentas mais eficientes para esse objetivo continuam sendo os nematicidas e, quando disponíveis, variedades resistentes, embora a resistência ainda seja limitada na cultura da cana.

A pesquisadora chamou atenção para outro dado. Levantamentos acumulados ao longo de 25 anos indicam que entre 50% e 60% das áreas avaliadas apresentam populações de nematoides capazes de justificar o tratamento. Apesar disso, apenas cerca de 7% das soqueiras recebem aplicação de nematicidas. Na cana-planta, por outro lado, o tratamento já está presente em aproximadamente 90% a 95% das áreas.

Momento da aplicação define a eficiência do controle

A eficiência do tratamento depende diretamente da dinâmica do sistema radicular. Leila explicou que as raízes crescem durante o período chuvoso e sofrem redução na estação seca, especialmente nas camadas mais superficiais do solo. Como os nematoides são parasitas de raízes vivas, suas populações acompanham esse comportamento, aumentando quando há maior desenvolvimento radicular e diminuindo nos períodos de estiagem.

Esse comportamento determina a melhor época para o controle. Em canaviais colhidos durante o período chuvoso, o tratamento deve ser realizado logo após a colheita, quando as raízes permanecem ativas e o produto protege o novo crescimento radicular. Já nas áreas colhidas na estação seca, a aplicação pode ser adiada para mais próximo do retorno das chuvas, quando o sistema radicular volta a crescer e o aproveitamento do nematicida tende a ser maior.

Na prática, porém, a definição dessa janela depende também da logística das usinas e das operações realizadas no campo. Em muitas situações, o nematicida é aplicado juntamente com o inseticida utilizado no controle do Sphenophorus levis. Embora essa estratégia nem sempre coincida com a condição ideal para o manejo dos nematoides, os ensaios apresentados mostraram que ela ainda proporciona ganhos importantes em relação às áreas sem tratamento.

Produtos oferecem mais flexibilidade

Leila destacou que os nematicidas disponíveis atualmente oferecem maior flexibilidade de uso do que os produtos utilizados no passado. Muitos químicos já não exigem incorporação ao solo, enquanto os biológicos também podem ser aplicados sem essa necessidade, simplificando a operação e ampliando as possibilidades de manejo.

No caso dos biológicos, a aplicação durante a estação seca pode representar uma vantagem. Como vários produtos são formulados em estruturas de resistência, permanecem estabelecidos no solo até que o retorno das chuvas favoreça novamente o crescimento das raízes e o aumento da população de nematoides.

Os resultados dos ensaios indicaram que tanto produtos químicos quanto biológicos reduziram as populações de Pratylenchus e Meloidogyne e proporcionaram incremento de produtividade. Também houve respostas positivas com diferentes formas de aplicação, incluindo cortador de soqueira, sistema drench e via vinhaça, desde que respeitadas as características de cada produto.

Na prática, a definição dessa janela depende também da logística das usinas e das operações realizadas no campo. Em muitas situações, o nematicida é aplicado juntamente com o inseticida utilizado no controle do Sphenophorus levis. Embora essa estratégia nem sempre coincida com a condição ideal para o manejo dos nematoides, os resultados demonstram que ela ainda proporciona ganhos importantes em relação às áreas sem tratamento.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *