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Baixo consumo de etanol entre motoristas flex preocupa setor

Com produção em expansão, DATAGRO aponta potencial de recuperar mercado de 8 bilhões de litros

O consumo de etanol hidratado entre os motoristas de veículos flex preocupa o setor sucroenergético diante do crescimento da produção brasileira. Segundo a DATAGRO, a participação do biocombustível nesse mercado chegou a 38% em 2019, recuou para cerca de 28% em determinado momento de 2026 e deverá encerrar a safra em 31%, ainda abaixo do patamar registrado há sete anos.

A recuperação dessa diferença representaria um mercado adicional de aproximadamente 8 bilhões de litros, conforme estimativa apresentada por Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO, durante o Vision Tech Summit 2026, realizado nos dias 7 e 8 de outubro, em São Paulo. O economista defendeu investimentos em comunicação e programas de fidelização para incentivar o abastecimento com etanol, incluindo benefícios financeiros e a valorização das vantagens ambientais do combustível.

“Não adianta nada a gente ser supereficiente, o maior produtor de alguma coisa que ninguém consome”, afirmou Nastari. Na avaliação do executivo, a indústria precisa investir mais na relação com os consumidores, especialmente diante da concorrência com a gasolina.

A preocupação coincide com a expansão do etanol de milho, cuja produção deve alcançar 10,1 bilhões de litros na safra 2026/27, ante aproximadamente 2 bilhões em 2021. O país possui 32 plantas em operação, sendo 13 unidades flex. Outras 19 estão em construção, com capacidade adicional de 7 bilhões de litros, enquanto 15 projetos em fase de aprovação representam potencial de mais 5 bilhões.

Transporte marítimo oferece oportunidade de expansão

A DATAGRO também identifica possibilidades de crescimento no mercado internacional, principalmente no transporte marítimo e na aviação. A consultoria estima que a substituição parcial de combustíveis fósseis utilizados por navios poderá gerar demanda de 2,25 bilhões de litros de etanol até 2029.

Em um horizonte de 30 anos, o potencial projetado para o transporte marítimo varia de 45 bilhões a 90 bilhões de litros. A concretização dessas estimativas dependerá da adoção do combustível pelas empresas de navegação, das tecnologias disponíveis e das políticas internacionais de redução de emissões.

Na aviação, o combustível sustentável de aviação (SAF) também poderá abrir novos mercados para matérias-primas renováveis. A União Europeia estabeleceu metas de participação de 6% em 2030 e 70% em 2050. O custo de produção, no entanto, ainda é apontado como um dos principais obstáculos à expansão dessa alternativa.

Nas projeções da DATAGRO, a produção brasileira medida em ATR equivalente, considerando cana-de-açúcar e milho, deverá passar de 108,74 milhões de toneladas em 2025/26 para 149,24 milhões em 2034/35. A contribuição do milho nesse volume deverá aumentar de 17,33 milhões para 42,13 milhões de toneladas equivalentes.

Açúcar deve registrar déficit mundial na próxima safra

No mercado de açúcar, a DATAGRO reduziu de 1,35 milhão para 1,08 milhão de toneladas a estimativa de superávit mundial em 2025/26. Para 2026/27, a consultoria projeta déficit de 2,67 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 3,01 milhões, em um cenário de crescimento praticamente nulo do consumo global.

As condições climáticas na Índia contribuíram para a recuperação das cotações internacionais, que passaram da faixa de 13 a 14 cents por libra-peso para aproximadamente 20 a 21 cents. Apesar da reação, o preço do açúcar bruto negociado em Nova York, convertido em reais, permanece próximo do custo de produção.

Segundo a DATAGRO, a cotação equivale a R$ 2.057 por tonelada, ante custo estimado de R$ 2.007. O valor está 9,8% acima do registrado um ano antes, mas permanece 13% abaixo da média dos últimos cinco anos para esta época da safra.

No Centro-Sul, a consultoria estima moagem de 640 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 38,8 milhões de toneladas de açúcar. A projeção de etanol apresentada na palestra foi de aproximadamente 37,12 bilhões de litros. A DATAGRO calcula ainda que entre 25 milhões e 30 milhões de toneladas de cana poderão permanecer sem processamento nesta temporada, devido às dificuldades de colheita provocadas pelas chuvas.

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