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Etanol sobe até 17% em setembro com chuvas e alta do petróleo

Oferta restrita e valorização do combustível fóssil sustentam preços em São Paulo

Os preços do etanol registraram forte valorização em setembro no mercado spot de São Paulo, impulsionados pelas chuvas que prejudicaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar e pela alta do petróleo no mercado internacional. O etanol anidro acumulou avanço de 17,1% em relação a agosto, enquanto o hidratado subiu 14,5%, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado apresentou média de R$ 2,5211 por litro nas semanas completas de setembro. No caso do anidro, utilizado na mistura com a gasolina, o preço médio alcançou R$ 2,8987 por litro. A valorização ocorreu em um período de menor disponibilidade de matéria-prima e de maior firmeza dos produtores nas negociações.

A alta também atingiu o açúcar cristal branco, cujo indicador registrou média de R$ 118,98 por saca de 50 quilos, crescimento de 17,68% na comparação mensal. Diante desse cenário, o Cepea avalia que as unidades produtoras poderão direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de etanol ao longo de outubro, reduzindo a disponibilidade de açúcar, principalmente para exportação.

Petróleo reforça valorização dos biocombustíveis

O comportamento das cotações internacionais contribuiu para sustentar os preços do etanol. Em setembro, o contrato de primeiro vencimento do petróleo bruto negociado na CME Group apresentou média de US$ 95,69 por barril, aumento de 16,05% em relação a agosto. O Brent, negociado na ICE Futures Europe, avançou 15%, para US$ 100,44 por barril.

A valorização do petróleo favoreceu a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, enquanto as condições climáticas limitaram a oferta nas regiões produtoras. Parte das usinas manteve propostas firmes e ampliou a participação no mercado spot, mas outras preferiram reter estoques à espera de melhores condições comerciais.

As perspectivas climáticas também exigem atenção. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), outubro poderá apresentar chuvas irregulares em grande parte do país, com volumes acima da média no Sudeste. A ocorrência de precipitações durante a colheita pode continuar interferindo no ritmo de moagem e na disponibilidade de etanol.

Volume negociado recua apesar da alta anual

O movimento de valorização ocorreu em meio à redução das negociações de etanol hidratado pelas usinas paulistas. Em setembro, o volume comercializado caiu 14,9% em relação a agosto, embora tenha registrado crescimento de 45,8% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na segunda quinzena, parte das distribuidoras concentrou suas operações na retirada de volumes adquiridos anteriormente, adotando uma postura mais cautelosa diante das oscilações de preços. As alterações tributárias também influenciaram a dinâmica comercial, com a redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a comercialização do etanol hidratado combustível entre 10 de setembro e 9 de outubro.

No varejo paulista, o preço médio da gasolina C permaneceu em R$ 6,35 por litro entre agosto e setembro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apesar da estabilidade, a participação do etanol anidro na composição do preço do combustível passou de 12,98% para 14,72% no período.

A análise considera a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, em vigor desde 1º de agosto de 2026.

Nordeste apresenta movimentos distintos nos preços

Nos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, o avanço da moagem da safra 2026/27 ampliou gradualmente a oferta de etanol, reduzindo a necessidade de abastecimento por outras regiões. A recomposição, entretanto, ocorreu em ritmos diferentes, conforme as condições de produção e as estratégias comerciais das usinas.

Em Pernambuco, o preço médio do hidratado avançou 4,32% em setembro, alcançando R$ 2,9065 por litro. O anidro apresentou comportamento contrário, com queda de 8,29%, para R$ 3,0160 por litro.

Na Paraíba, os dois produtos registraram recuo. O hidratado caiu 1,53%, para R$ 2,8129 por litro, enquanto o anidro teve desvalorização de 1,07%, encerrando o mês com média de R$ 3,0212 por litro. Os indicadores dos dois estados incluem operações no mercado spot e contratos.

Em Alagoas, o hidratado apresentou alta de 2,79%, para R$ 2,8620 por litro. Não houve volume suficiente de informações para o cálculo da média mensal do anidro. Diferentemente de Pernambuco e Paraíba, o indicador alagoano considera apenas as operações realizadas no mercado spot.

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