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Armazenamento de carbono abre nova receita para usinas de etanol

CCS permite monetizar CO₂ da fermentação e ampliar valor ambiental do biocombustível

A captura e o armazenamento de carbono começam a ganhar espaço como uma nova possibilidade de receita para as usinas de etanol. O setor tem como vantagem o CO₂ liberado durante a fermentação, que apresenta elevado grau de concentração e pode ser direcionado ao armazenamento permanente em reservatórios geológicos.

O tema estará no centro da segunda edição do Carbonless Summit, marcada para quarta-feira (2), em Ribeirão Preto – SP, no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico (IAC). O encontro discutirá também regulação, licenciamento e mercado de armazenamento de carbono.

Segundo Everton Oliveira, um dos organizadores do evento e presidente da Hidroplan, uma das possibilidades é a usina vender o carbono para uma empresa responsável pelo armazenamento. Nesse modelo, afirma, a operação pode representar uma fonte de receita sem exigir investimento da unidade produtora de etanol.

“Na produção de etanol, a fermentação converte os açúcares em álcool e libera CO₂ praticamente puro, que na maior parte das usinas é simplesmente liberado para a atmosfera. Entretanto, esse fluxo relativamente concentrado de CO₂ oferece uma oportunidade singular”, afirma Oliveira.

CO pode ser armazenado em reservatórios geológicos

Depois de comprimido, o dióxido de carbono pode ser transportado e armazenado de forma permanente em formações geológicas profundas. Como o carbono foi originalmente retirado da atmosfera pela cana durante a fotossíntese e deixa de retornar ao ciclo atmosférico, o processo pode resultar em remoção líquida de CO₂.

A aplicação desse conceito à bioenergia é conhecida como BECCS, sigla em inglês para bioenergia com captura e armazenamento de carbono. Além da venda direta do CO₂, o modelo pode abrir outras frentes de monetização para as usinas, como créditos de carbono e certificação de etanol com pegada negativa.

O material do evento aponta ainda a possibilidade de geração adicional de Créditos de Descarbonização, os CBios, a partir de uma nota mais alta no RenovaBio, além de acesso a fundos voltados à sustentabilidade e a mercados de combustíveis de menor intensidade de carbono, entre eles aviação e navegação.

A tecnologia empregada no armazenamento geológico aproveita conhecimentos desenvolvidos ao longo de décadas pela indústria de petróleo. No setor sucroenergético, a combinação dessas técnicas com o carbono biogênico gerado na produção de etanol é apontada como caminho para reduzir ainda mais a pegada de carbono do combustível.

Créditos de BECCS podem alcançar maior valor

Outra frente de interesse para o setor está no valor dos créditos associados ao armazenamento permanente. Daniel Pedroso, da EnduraCarbon, afirma que os créditos gerados por projetos de BECCS apresentam maior integridade ambiental em razão da permanência do carbono em depósitos geológicos.

A comparação é feita principalmente com créditos vinculados à preservação florestal, sujeitos a riscos como incêndios e desmatamento. Segundo Pedroso, a maior permanência proporcionada pelo armazenamento geológico pode aumentar o valor comercial dos créditos gerados pelos projetos.

“O carbono capturado por meio da tecnologia BECCS ficará armazenado para sempre em depósitos geológicos, enquanto uma floresta tem sua integridade mais frágil, podendo sofrer danos ligados a desmatamento ou fogo. Por isso o crédito de BECCS vale mais, e aí reside uma grande nova oportunidade de receita para as usinas de etanol”, afirma.

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