Segurança alimentar e custos logísticos desafiam o agronegócio
Infraestrutura e mudanças climáticas preocupam lideranças reunidas no GAFFFF
Os custos logísticos, as mudanças climáticas e a necessidade de ampliar a oferta de alimentos estão entre os principais desafios do agronegócio brasileiro. Os temas ganharam destaque na terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), promovido pela DATAGRO nos dias 1º e 2 de outubro, em São Paulo – SP, com a participação de autoridades, empresários e especialistas de 21 países.
Apesar da relevância do Brasil no abastecimento mundial, limitações de infraestrutura comprometem a competitividade da produção. Dados apresentados no encontro mostram que o transporte de grãos no país pode custar até 48% mais do que nos Estados Unidos, principalmente pela dependência das rodovias. A capacidade de armazenagem, por sua vez, corresponde a apenas 62% da produção nacional.
A segurança alimentar também foi abordada pela ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson. Ela alertou que a posição de um país entre os grandes exportadores agrícolas não garante o acesso da população aos alimentos, sobretudo diante dos riscos associados aos eventos climáticos extremos.
“A resposta à crise do clima e da natureza passa pelo engajamento das comunidades locais”, afirmou Robinson, ao defender maior participação da sociedade nas decisões ambientais e cooperação entre os países.
O presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, destacou a contribuição da ciência para o desenvolvimento agrícola brasileiro. “O avanço da agricultura brasileira é fruto histórico da união entre ciência, pesquisa e ecossistemas de colaboração”, disse. Para ele, a capacidade produtiva e os padrões sanitários e ambientais do país podem fortalecer sua participação na segurança alimentar e energética mundial.
Biocombustíveis ganham espaço na agenda energética
A transição energética abriu outra frente de discussões, com destaque para os R$ 289 bilhões em investimentos em biocombustíveis apresentados durante o evento. Além do etanol, os debates abordaram oportunidades para o combustível sustentável de aviação (SAF), o transporte marítimo e o biometano.
Na área ambiental, especialistas discutiram a aplicação do Código Florestal e mecanismos de remuneração pela conservação. Um dos pontos levantados foi o princípio do protetor-recebedor, que prevê incentivos econômicos a quem preserva recursos naturais. Também foi destacada a necessidade de ampliar o reconhecimento internacional das exigências ambientais brasileiras.
A inovação tecnológica foi tratada em painéis com representantes do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos. As discussões ressaltaram a importância de demonstrar aos consumidores os benefícios da biotecnologia, tema relacionado à percepção da sociedade sobre o setor.
Ao apresentar um estudo sobre a imagem do agronegócio, o diretor da DATAGRO, Luiz Felipe Nastari, observou que os avanços tecnológicos ainda são pouco conhecidos pela população urbana. “O setor é muito mais moderno e tecnológico do que o imaginário popular supõe”, afirmou.
O GAFFFF reuniu 328 palestrantes em 87 painéis, além de 144 expositores e 184 patrocinadores. A próxima edição está prevista para os dias 10 e 11 de junho de 2027, em São Paulo – SP.
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