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Gasolina acumula 246 dias com preço abaixo da paridade de importação

Defasagem chega a 34,5%, enquanto diesel apresenta diferença de 16,5%, segundo a DATAGRO

Os preços dos combustíveis no Brasil permanecem abaixo dos valores de referência do mercado internacional. Na gasolina, a diferença em relação à paridade de importação atingiu 34,5% na quarta-feira (21), completando 246 dias consecutivos de defasagem negativa. Os dados constam do Índice de Diferencial do Preço dos Combustíveis, divulgado pela consultoria DATAGRO.

O levantamento também aponta diferenças nos preços do diesel e do querosene de aviação (QAV). No caso do diesel, a cotação doméstica está 16,5% abaixo da paridade internacional, situação que se prolonga por 251 dias. Para o QAV, a diferença é menor, de 1,4%, com nove dias consecutivos de preços inferiores à referência externa.

A distância entre as cotações brasileiras e internacionais é acompanhada pelo setor de combustíveis por sua relação com as condições de importação e a competitividade dos produtos comercializados no país. O indicador considera os custos envolvidos na entrada dos derivados no mercado brasileiro, permitindo comparar os valores praticados internamente com os preços externos.

Gasolina registra maior diferença entre os derivados

Na base de Paulínia – SP, utilizada como referência pela DATAGRO, o preço médio da gasolina foi calculado em R$ 3,0608 por litro. No mercado internacional, o diferencial entre a gasolina RBOB e o petróleo WTI, conhecido como crack spread, alcançou US$ 33,91 por barril. Segundo o relatório, a última alteração no preço doméstico ocorreu em 29 de maio de 2026.

O diesel apresenta um cenário semelhante, embora com defasagem proporcionalmente menor. O combustível foi cotado a R$ 5,4511 por litro em Paulínia, enquanto o diferencial internacional ULSD Gulf/WTI chegou a US$ 97,81 por barril. O levantamento considera um ajuste no preço interno realizado em 20 de outubro.

Já o querosene de aviação apresentou cotação de R$ 5,6294 por litro na mesma referência brasileira. No exterior, o indicador US Gulf Jet/WTI ficou em US$ 89,52 por barril. A última atualização do preço doméstico desse derivado havia ocorrido em 1º de outubro.

Etanol influencia competitividade da gasolina brasileira

A metodologia utilizada pela DATAGRO considera diferentes componentes da formação dos preços de importação, incluindo ajustes relacionados à qualidade da gasolina adquirida no exterior. Os cálculos são realizados diariamente desde 1999, permitindo acompanhar a evolução das diferenças entre as cotações nacionais e internacionais.

Um dos fatores considerados na análise é a composição da gasolina comercializada no Brasil. A adição de etanol, combustível com elevada octanagem, permite utilizar uma gasolina base de menor octanagem e custo mais baixo, característica que contribui para a competitividade do produto brasileiro.

Essa particularidade diferencia a estrutura de custos da gasolina nacional daquela observada em outros mercados. Segundo a DATAGRO, o desconto de qualidade da gasolina importada integra os cálculos de paridade, que também levam em conta os demais componentes envolvidos na formação do preço de referência.

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