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Alívio no Oriente Médio reduz pressão sobre petróleo e inflação

Bradesco eleva projeção do PIB e mantém cenário econômico para 2026

A redução das tensões no Oriente Médio diminuiu a pressão sobre o mercado internacional de petróleo e reduziu os riscos de um choque mais prolongado sobre a inflação global. Com a retomada gradual do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, o Bradesco manteve praticamente inalterado seu cenário macroeconômico para o Brasil, embora reconheça que o ambiente externo ainda exige cautela.

Na quinta edição do relatório Cenário Econômico, o banco revisou de 1,6% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e manteve a estimativa de 2,0% para 2027. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 5,0% neste ano, recuando para 3,7% em 2027. A expectativa é de que a taxa Selic encerre 2026 em 12,75% e caia para 10,25% ao final do próximo ano.

Segundo o relatório, os reajustes recentes dos combustíveis, das passagens aéreas e de parte dos alimentos elevaram a inflação no curto prazo. Ainda assim, o banco avalia que o impacto tende a perder força ao longo dos próximos meses, sem comprometer as expectativas para 2027. A instituição também manteve a expectativa de cumprimento da meta fiscal no limite inferior da banda em 2026, mas projeta a dívida bruta em 82,7% do PIB neste ano e 86,7% em 2027, reforçando a necessidade de um ajuste estrutural das contas públicas.

Câmbio favorece cenário doméstico

O Bradesco manteve a projeção do dólar em R$ 5,00 no encerramento de 2026 e de 2027. A avaliação é de que o Brasil continua beneficiado pelo fluxo internacional de recursos para mercados emergentes, impulsionado pelo diferencial de juros e pela posição do País como exportador líquido de petróleo. O relatório também estima superávit comercial de US$ 80,8 bilhões e ingresso de US$ 85 bilhões em investimentos diretos neste ano.

No cenário internacional, a instituição avalia que a inflação continua desafiando os principais bancos centrais. A expectativa é de novos ajustes de juros na Europa, enquanto o Federal Reserve deverá manter as taxas estáveis por um período mais prolongado. Para o banco, esse ambiente pode reduzir o ritmo de migração de recursos para mercados emergentes, mas não altera a tendência estrutural de diversificação dos investimentos globais.

A China permanece como um dos principais pontos de atenção para a economia mundial. O relatório destaca que o crescimento segue dependente das exportações, enquanto o consumo doméstico continua enfraquecido. Ao mesmo tempo, a formação de estoques de commodities, como soja, milho e minério de ferro, deve continuar influenciando o comércio internacional e os preços desses produtos nos próximos meses.

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