Biometano ganha espaço em debate sobre emissões e segurança energética
Cúpula regional discute oportunidades para ampliar produção e uso do gás renovável
A redução das emissões de metano e a expansão do biometano estiveram no centro dos debates da III Cúpula Regional do Metano, realizada nos dias 8 e 9 de junho, em Brasília. O encontro reuniu representantes de mais de 20 países da América Latina e do Caribe, além de organismos internacionais, empresas, centros de pesquisa e autoridades governamentais para discutir soluções voltadas à transição energética e à economia de baixo carbono.
Promovida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE), a cúpula destacou o potencial do biometano como alternativa capaz de contribuir para a descarbonização da matriz energética, ampliar a segurança no abastecimento e gerar novas oportunidades econômicas para os países da região.
A discussão ocorre em um momento de crescente demanda mundial por combustíveis de menor intensidade de carbono. Nesse cenário, o aproveitamento energético do metano, especialmente por meio da produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais, urbanos e de atividades agropecuárias, ganha relevância estratégica para os compromissos climáticos e para a diversificação das fontes de energia.
Metano no centro da agenda climática
Durante a programação, especialistas debateram temas como monitoramento de emissões, avanços regulatórios, tecnologias de mitigação e gestão de emissões nos setores de petróleo e gás. Também foram discutidos mecanismos de cooperação regional para ampliar o intercâmbio de informações e acelerar a adoção de soluções já disponíveis no mercado.
Segundo dados apresentados no encontro, o metano é responsável por cerca de 30% do aumento da temperatura global desde a era pré-industrial. Por possuir elevado potencial de aquecimento atmosférico, sua redução é considerada uma das medidas mais eficazes para gerar impactos climáticos positivos no curto prazo.
Além da mitigação das emissões, o aproveitamento do gás que hoje é perdido ou descartado representa uma oportunidade de aumentar a eficiência energética e reduzir desperdícios, especialmente em setores intensivos em geração de resíduos orgânicos.
Potencial de crescimento
Outro ponto de destaque da cúpula foi o fortalecimento do Observatório de Emissões de Metano para a América Latina e o Caribe (OEMLAC) e da Comunidade de Prática sobre Metano (COEMLAC), iniciativas voltadas ao compartilhamento de experiências, desenvolvimento de estudos e formulação de políticas públicas relacionadas ao tema.
Para a América Latina e o Caribe, o avanço do biometano é visto não apenas como uma medida ambiental, mas também como uma oportunidade econômica. Estimativas internacionais indicam que grande parte das emissões do setor energético pode ser reduzida com tecnologias já disponíveis, inclusive por meio da recuperação e aproveitamento do gás atualmente desperdiçado. A expectativa é que os debates realizados em Brasília contribuam para acelerar investimentos e ampliar a participação do biometano na matriz energética regional nos próximos anos.
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