Cadeia da soja e do biodiesel deve crescer 6,9% em 2026
Safra recorde, maior processamento e avanço do B15 impulsionam PIB do setor, emprego e exportações
A combinação entre uma safra recorde de soja, o aumento do processamento industrial e a demanda aquecida por derivados deve manter a cadeia da soja e do biodiesel em trajetória de expansão em 2026. Estudo elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), projeta crescimento de 6,87% no Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva neste ano.
Caso a estimativa se confirme, o segmento responderá por 21,2% do PIB do agronegócio brasileiro e por 4,8% da economia nacional. O resultado sucede um desempenho igualmente expressivo em 2025, quando a cadeia registrou expansão de 11,72%.
O principal fator por trás desse avanço é a colheita recorde de 180,56 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A maior oferta de matéria-prima, aliada aos ganhos de produtividade proporcionados pelo uso de tecnologia e por condições climáticas favoráveis, amplia o processamento interno e fortalece diferentes elos da cadeia produtiva.
Processamento amplia geração de valor
As projeções apontam crescimento em todos os segmentos. No setor de insumos, a expectativa é de alta de 2,57%, impulsionada pela expansão da área cultivada e pelo aumento da demanda por sementes, fertilizantes, defensivos e tecnologias agrícolas.
Na produção de soja, o avanço estimado é de 7,26%, enquanto a agroindústria deve crescer 7,74%, refletindo a maior oferta do grão e a demanda firme por farelo, óleo e biodiesel. Entre os destaques aparece justamente o biodiesel, cuja atividade industrial pode avançar 10,93%, favorecida pela adoção da mistura obrigatória de 15% ao diesel (B15), em vigor desde agosto de 2025.
Os agrosserviços também acompanham esse movimento. O Cepea e a Abiove projetam expansão de 6,89%, sustentada pelo aumento das necessidades de transporte, armazenagem, comercialização e logística para atender o maior volume de soja e derivados.
Os números também reforçam a importância do processamento para a economia. As estimativas indicam que cada tonelada de soja produzida e processada gera R$ 6.710 em PIB, valor 3,84 vezes superior ao gerado pela exportação direta do grão, estimado em R$ 1.747 por tonelada.
Emprego e exportações mantêm trajetória positiva
O mercado de trabalho também acompanha a expansão da cadeia. No primeiro trimestre de 2026, o setor empregava 2,54 milhões de pessoas, crescimento de 3,29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a cadeia respondeu por 2,49% dos empregos da economia brasileira e por 11,21% das ocupações do agronegócio.
O avanço foi puxado principalmente pela agroindústria, que registrou alta de 9,23% no número de trabalhadores, com destaque para o segmento de esmagamento e refino, responsável pela criação de 6.101 postos de trabalho. Também houve aumento nas atividades ligadas ao biodiesel, com mais 595 ocupações, e à produção de rações, que abriu 1.212 vagas. Em sentido contrário, a produção agrícola de soja apresentou retração de 6,74% no emprego, consolidando uma tendência observada desde 2023, associada aos ganhos de eficiência no campo.
O estudo mostra ainda que o processamento agrega valor também na geração de empregos. Enquanto a soja produzida e processada gera 26 trabalhadores para cada mil toneladas, a soja exportada in natura responde por 6,5 trabalhadores no mesmo volume, uma diferença de quase quatro vezes.
No comércio exterior, a cadeia exportou 29,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, volume 5,95% superior ao registrado um ano antes. Em receita, os embarques alcançaram US$ 12,3 bilhões, alta de 11,8%, impulsionados pelo aumento dos volumes e pela valorização média de 5,52% nos preços internacionais.
Segundo o levantamento, a soja em grão foi favorecida pela safra recorde brasileira e pela demanda externa consistente. Já o óleo de soja encontrou suporte na expansão da produção de biodiesel e diesel renovável, principalmente na América do Norte e na Ásia, enquanto o farelo manteve bom desempenho em volume, apesar da maior concorrência internacional ter limitado a valorização dos preços.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: