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Bioinsumos ganham escala e redefinem estratégia no canavial

BioShow reúne usinas e associações em debate sobre solo

A Canaoeste participou do BioShow, organizado pelo Grupo IDEA no dia 25 de fevereiro, em Ribeirão Preto – SP, em um contexto de maior pressão por eficiência agronômica na cana-de-açúcar e expansão do uso de tecnologias biológicas no campo.

Representaram a associação André Bosch Volpe, gestor operacional de bioprodutos, e João Pedro Gomes Fontanari, técnico agronômico. A presença ocorre em paralelo ao crescimento da CanaoesteBio, biofábrica própria dedicada ao desenvolvimento e à multiplicação de insumos biológicos. Desde o início da operação, 100 mil hectares foram atendidos, com economia estimada em R$ 1,5 milhão aos produtores.

A agenda do encontro evidenciou a incorporação dos biológicos como componente estruturante da estratégia agrícola das usinas, com foco em validação técnica, compatibilidade com fertilização mineral e estabilidade produtiva. Para Dib Nunes, CEO do Grupo IDEA, o uso dessas ferramentas exige critério agronômico e aplicação baseada em dados. “O encontro prioriza aplicação prática com base científica, diante da demanda crescente por manejo biológico”, afirmou. Falando sobre as perspectivas para a safra 2026/27, ele disse que a produção tende a superar a da temporada anterior, embora os custos ainda pressionem margens.

Protocolos técnicos e integração de sistemas

A BP Bioenergy detalhou ajustes operacionais após impactos climáticos sobre rendimento e despesas agrícolas. Hayra Reis, gerente corporativa de Desenvolvimento Agronômico, afirmou que a companhia revisou rotinas no uso de microrganismos, priorizando controle de qualidade e padronização.

“Se eu não controlo compatibilidade, temperatura e armazenamento, eu perco eficiência antes mesmo de o produto chegar ao campo”, disse. O portfólio passou por validações em laboratório após 6, 24 e 48 horas de mistura e testes em diferentes faixas térmicas, que alcançaram 40 graus em sistemas de aplicação.

A empresa opera 11 unidades agroindustriais em cinco Estados e soma cerca de 250 mil hectares entre safra e plantio. A meta de aplicação de composto neste ciclo é de 46 mil hectares, com 84 por cento executados. O teor de fósforo no solo foi ajustado para 25 ppm e a saturação por bases no preparo busca 90 por cento. Na vinhaça localizada, o pacote atende 50 por cento da demanda de nitrogênio, associado a bactérias e fungos entomopatogênicos.

“Bioinsumo é ativo vivo. O sucesso não depende só da carga microbiana, mas da assertividade da aplicação e das condições de ambiente”, afirmou.

A Tereos apresentou resultados com bioestimulantes e aminoácidos voltados à mitigação de estresses. Segundo Matheus Pozzetti, gestor de Qualidade Agrícola, ensaios indicaram ganhos de até 17 por cento em TCH no plantio. Em cana planta, a biometria evoluiu de 93,9 para 109,9 toneladas por hectare em três testes após 210 dias. Em cana soca, seis experimentos apontaram aumento de 124,7 para 137,2 toneladas por hectare.

“A gente cultiva próximo a 300 mil hectares, com produção anual em torno de 18 milhões de toneladas de cana. Praticamente 700 produtores representam metade da matéria-prima”, afirmou. Na safra 2025/26, a área tratada alcançou 70 por cento, ante 45 por cento nas duas temporadas anteriores. “Não é ganhar produtividade, é deixar de perder e buscar o potencial da planta”, disse.

A Agroterenas, por meio da AGT Cana, destacou integração entre biofábrica própria, compostagem e uso de vinhaça. Gilda Mariano, coordenadora do laboratório de produção e controle de qualidade de microrganismos na empresa, afirmou que os produtos biológicos são organizados em quatro frentes, inoculantes, ativadores biológicos, repositores de biodiversidade e biodefensivos.

“Essas práticas são concatenadas. Uma não faz sentido sem a outra”, declarou. A unidade de Maracaí utilizou cerca de 120 mil toneladas de composto na última safra. A vinhaça é aplicada em 38 mil hectares, entre aspersão e sistema localizado, fornecendo 100 por cento do potássio e parte do nitrogênio. Segundo ela, 100 por cento das áreas de reforma passam por rotação de culturas.

Solo, rizosfera e fertilização integrada

Além das apresentações corporativas, o evento discutiu o mundo invisível da vida no solo e suas relações com o rendimento agrícola, a formação do canavial com soluções biológicas, a estruturação de programas técnicos no campo e a interação entre fertilizantes minerais e produtos biológicos.

Também foram debatidos o papel da rizosfera na performance da cana-de-açúcar e a produção de composto orgânico a partir de grandes volumes de bagaço, com ênfase em desafios operacionais e eficiência agronômica.

As discussões convergiram para a necessidade de integrar correção de solo, nutrição equilibrada, controle biológico e gestão baseada em indicadores técnicos para sustentar resultados em um ambiente de maior variabilidade climática e margens comprimidas.

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