Canaoeste acompanha avanços no manejo durante o Herbishow
Associação participa de debates técnicos em Ribeirão Preto – SP
Ribeirão Preto – SP recebeu, nos dias 13 e 14 de maio, a 25ª edição do Herbishow, um dos principais eventos técnicos do setor sucroenergético voltados ao controle de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. A Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) participou da programação acompanhando debates sobre manejo, tecnologias digitais, pulverização de precisão e novas estratégias para redução de perdas no campo.
A associação foi representada por Luiz Silverio Neto, engenheiro agrônomo; Eduardo Molina Neto, técnico agronômico; e João Pedro Gomes Fontanari, técnico agronômico. “O Herbishow mostra como o manejo de plantas daninhas exige atualização constante. Hoje, tecnologia, planejamento e conhecimento técnico fazem diferença direta na produtividade e no controle dos custos dentro do canavial”, afirmou Fontanari.
Organizado pelo Grupo IDEA, o evento reuniu pesquisadores, usinas, consultores e empresas fornecedoras em um momento considerado estratégico para o setor. As discussões ocorreram em meio ao avanço de plantas resistentes, aumento dos custos operacionais e necessidade de maior eficiência no uso de herbicidas.
Tecnologia e pulverização de precisão
A programação trouxe temas ligados à inteligência artificial, pulverização aérea, rastreabilidade operacional, manejo de gramíneas e uso de ferramentas digitais no campo. Entre os destaques estiveram palestras sobre pulverização de herbicidas com robôs aéreos, manejo de plantas daninhas em cana tolerante ao glifosato, aplicação de defensivos agrícolas e estratégias para ampliar a eficiência operacional nos canaviais.
As soluções voltadas à agricultura digital e pulverização de precisão estiveram entre os temas apresentados por Alfredo Barbosa Neto, especialista de Produtos e Mercado da John Deere. O profissional detalhou o funcionamento do John Deere Operations Center, plataforma baseada em nuvem que integra dados das máquinas em tempo real.
“De forma gratuita, a gente tem dentro da nossa plataforma tudo aquilo que acontece com a máquina no campo”, afirmou Barbosa Neto ao apresentar recursos de monitoramento de velocidade, taxa de aplicação, ordens de serviço e desempenho operacional.
Para mostrar os resultados dessas ferramentas na prática, Sullivan Prado, especialista em Melhorias de Processos Agrícolas Corporativo da Pedra Agroindustrial, apresentou testes realizados pela companhia utilizando sistemas de controle bico a bico integrados aos pulverizadores.
Segundo Prado, a adoção da tecnologia permitiu reduzir sobreposições de produto, aumentar a precisão das aplicações e diminuir desperdícios em áreas com curvas e declividade. Em um dos testes realizados em uma área de 24 hectares, a operação apresentou redução de 7,7% no volume de calda aplicado e melhora na qualidade operacional.
Manejo de plantas daninhas preocupa setor
As discussões técnicas também abordaram os desafios do manejo de gramíneas invasoras nos canaviais. Carlos Azania, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), apresentou resultados de ensaios envolvendo espécies como grama seda (Cynodon dactylon) e capim-camalote (Rottboellia exaltata), consideradas entre as principais plantas daninhas que afetam a produtividade da cana, especialmente no TCH.
No caso da grama-seda, o pesquisador destacou resultados envolvendo moléculas como Clomazone, Sulfentrazone, Indaziflan e Imazapyr. Já para o manejo do capim-camalote, foram apresentados trabalhos com Flumioxazina, Piroxasulfone, Indaziflan, Clomazone, Tebuthiuron, Pendimentalin e Trifluralina.
Segundo Azania, o avanço da infestação e o atraso nas intervenções podem gerar prejuízos severos para os produtores. Dependendo do nível de infestação e da demora no manejo, as perdas podem chegar a 100% em determinadas áreas, enquanto níveis médios já podem provocar reduções entre 40% e 50% na produtividade.
Azania também ressaltou que essas plantas daninhas apresentam maior incidência durante a primavera e o verão, períodos em que encontram melhores condições de desenvolvimento. Apesar disso, alertou que tanto a grama seda quanto o capim-camalote conseguem se desenvolver ao longo de todo o ano, o que exige planejamento contínuo das operações de manejo dentro do canavial.
A programação também contou com homenagem ao professor titular aposentado Dr. Tomomassa Matuo, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, considerado um dos precursores na ampliação do conhecimento sobre tecnologia de aplicação adequada de defensivos agrícolas no Brasil.
Dib Nunes, presidente do Grupo IDEA e idealizador do Herbishow, também foi homenageado pela FMC pela contribuição ao longo das 25 edições do evento, marcadas pela disseminação de inovação, conhecimento técnico e debates voltados ao desenvolvimento do setor sucroenergético.



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