Conexão Agro aponta cenário de atenção para o agronegócio
Relatório do Banco do Brasil analisa economia e cinco commodities
O Banco do Brasil publicou uma nova edição do Conexão Mercado Agro, relatório semanal que reúne análises sobre o cenário macroeconômico e as perspectivas para as principais commodities do agronegócio. O material destaca os efeitos das tensões geopolíticas, da política monetária e do comércio internacional sobre os mercados de soja, milho, café e boi gordo, além de apresentar projeções para a economia brasileira.
Segundo o banco, o cenário internacional continua sendo influenciado pelos conflitos no Oriente Médio, que mantêm o petróleo pressionado, e pelas discussões sobre inflação e juros nos Estados Unidos. No Brasil, a expectativa é de desaceleração gradual da atividade econômica, embora indicadores recentes ainda apontem resiliência. Para 2026, a instituição projeta Selic de 14%, câmbio em R$ 5,25 por dólar e inflação acima do teto da meta, com convergência prevista para 2027.
Milho tem suporte da demanda por etanol
Entre as commodities, o relatório destaca que o mercado de milho segue sustentado pela demanda da indústria de etanol nos Estados Unidos, estimada em cerca de 141 milhões de toneladas, além do bom ritmo das exportações norte-americanas. As tensões entre Rússia e Ucrânia também continuam elevando o prêmio de risco para o comércio internacional de grãos.
No Brasil, a safra 2025/26 foi estimada em 141,7 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da área cultivada. Apesar da entrada da segunda safra exercer pressão sobre os preços, o Banco do Brasil avalia que fatores como clima nos Estados Unidos e geopolítica seguirão determinantes para o comportamento das cotações. O estudo também observa que a valorização do petróleo tende a fortalecer o mercado mundial de etanol, oferecendo suporte adicional ao milho.
Soja reage à demanda chinesa
Para a soja, o relatório aponta que a retomada das compras pela China, o aumento do processamento nos Estados Unidos e a valorização do petróleo contribuíram para sustentar as cotações em Chicago. No mercado brasileiro, a combinação entre dólar valorizado, prêmios de exportação firmes e preços internacionais favoreceu as negociações e impulsionou os preços nas principais regiões produtoras.
A expectativa para os próximos dias é de continuidade da volatilidade, com o mercado acompanhando de perto as condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano, fase decisiva para o desenvolvimento da safra, além do comportamento da demanda chinesa e do mercado de energia.
Café e pecuária seguem no radar
No café, o avanço da colheita brasileira pressiona as cotações, mas os estoques globais reduzidos e as preocupações com a qualidade dos grãos ainda oferecem sustentação aos preços. Já no mercado pecuário, o consumo doméstico mais fraco tem limitado a valorização da arroba, enquanto o bom desempenho das exportações continua sendo o principal fator de equilíbrio para o setor. Para as próximas semanas, o Banco do Brasil avalia que o comportamento das commodities continuará condicionado à evolução do cenário geopolítico, às condições climáticas nas principais regiões produtoras e ao desempenho da demanda global, fatores que devem manter elevada a volatilidade dos mercados agrícolas.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: