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CTC inaugura planta piloto de sementes e leva tecnologia à escala

Unidade consolida projeto iniciado há 13 anos e muda o plantio

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou nesta quinta-feira (16), em Piracicaba – SP, a sua primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS), estrutura que viabiliza o uso em escala das sementes sintéticas e marca uma mudança estrutural no modelo de plantio da cana-de-açúcar após cerca de 500 anos de uso de colmos.

A tecnologia, desenvolvida desde 2013 por uma equipe de aproximadamente 150 especialistas, entra agora na fase de validação em escala, com automação, padronização de processos e avaliação logística. A iniciativa integra um projeto que já acumula cerca de R$ 1 bilhão em investimentos até o lançamento comercial, em até dois anos, sendo mais de R$ 100 milhões aplicados na unidade inaugurada, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O CEO do CTC, Cesar Barros, afirmou que a nova fábrica marca uma inflexão no setor. “Hoje marca o início de uma nova fase para o setor sucroenergético. A nossa visão de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros se materializa com resultados concretos no campo”, disse.

Segundo o diretor de agronomia do CTC, Luiz Antônio Dias Paes, a nova etapa conecta a pesquisa ao campo. “Estamos transformando o que foi desenvolvido em laboratório em uma operação padronizada, com escala e capacidade de entrega para o setor”, afirmou.

Redução de insumos e ganho de eficiência

O principal impacto está na mudança do sistema de plantio. Atualmente, são necessárias cerca de 16 toneladas de cana por hectare para formação do canavial. Com as sementes sintéticas, esse volume cai para aproximadamente 400 quilos, com efeitos diretos sobre custo, logística e eficiência operacional.

Além da redução de material, o novo modelo melhora a sanidade do plantio, aumenta a uniformidade e permite acelerar a adoção de variedades mais produtivas. “É uma mudança relevante porque simplifica a operação e amplia a velocidade de renovação varietal”, disse Paes.

A tecnologia também elimina a necessidade de viveiros, que hoje ocupam até 5% da área agrícola destinada à produção de mudas, o equivalente a cerca de 500 mil hectares no país, área que pode ser redirecionada para produção comercial.

Escala industrial e integração tecnológica

A unidade inaugurada foi construída em 15 meses, possui cerca de 10 mil metros quadrados e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano em operação de um turno, com potencial de expansão. O processo produtivo combina ambiente laboratorial controlado com automação industrial, garantindo padronização, rastreabilidade e qualidade sanitária do material.

A produção de sementes sintéticas é parte de um sistema integrado de tecnologias estruturado em quatro frentes, melhoramento genético, biotecnologia, ciência de dados e manejo digital. A proposta é elevar o potencial produtivo, proteger esse desempenho no campo e transformar dados em decisões agronômicas mais precisas.

No melhoramento genético, novas variedades já apresentam ganhos médios de até 10% em produtividade em relação às referências de mercado, com taxa de adaptação superior a 80% em diferentes ambientes. Na biotecnologia, o foco está na proteção contra pragas e na estabilidade produtiva ao longo do ciclo.

Meta de produtividade e impacto no setor

A iniciativa está alinhada à estratégia do CTC de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros até 2040 sem expansão de área, em um cenário de maior demanda por energia renovável e pressão por redução de emissões.

Do ponto de vista operacional, a redução no volume de material transportado tende a diminuir o consumo de diesel e a compactação do solo. A padronização do processo também reduz o risco de disseminação de doenças e melhora o estabelecimento inicial do canavial.

A expectativa é de adoção gradual da tecnologia no Centro-Sul, conforme a ampliação da capacidade produtiva e a consolidação dos protocolos agronômicos em diferentes regiões produtoras.

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