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Cana mantém vantagem produtiva e aposta em ciência e manejo

Painel do Cana Summit reúne líderes e projeta futuro do setor

A cana-de-açúcar deve manter relevância nas próximas décadas, sustentada por avanços em genética, manejo e biotecnologia, mesmo diante do avanço de culturas concorrentes e de novas rotas energéticas. A avaliação foi compartilhada por especialistas durante o painel “O Futuro da Cana – Da Produção ao Mercado”, no Cana Summit 2026, realizado em Ribeirão Preto – SP, nos dias 15 e 16 de abril.

Participaram do debate Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO, Jaime Finguerut, diretor do Instituto de Tecnologia Canavieira (ITC), José Guilherme Nogueira, CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA), e Walter Maccheroni, assessor de tecnologia industrial e gestor de inovação da Usina São Martinho.

Base científica e potencial produtivo

Walter Maccheroni destacou que a cana apresenta características únicas entre as culturas agrícolas, com elevada eficiência fotossintética e capacidade de produção de biomassa e sacarose. Segundo ele, comparações diretas com culturas anuais, como o milho, ignoram diferenças estruturais importantes.

O executivo reforçou que a evolução da produtividade depende da combinação entre genética e manejo, em um processo mais complexo devido ao ciclo semiperene da cultura. Ele também citou iniciativas de pesquisa aplicada, como centros voltados à sanidade vegetal, que já resultaram em avanços no controle de pragas e doenças.

Integração com milho e pressão de custos

Jaime Finguerut apontou que o etanol de milho já alcança cerca de 90% do rendimento da cana em açúcar equivalente por hectare, com a vantagem de um ciclo de apenas 120 dias. Além disso, destacou que o custo do etanol de milho pode ser até 30% inferior, impulsionado pela eficiência industrial e pela diversificação de receitas com coprodutos.

Segundo ele, aproximadamente 70% do custo do etanol está na matéria-prima, o que exige ganhos expressivos de produtividade da cana para manter competitividade. Nesse cenário, a integração entre as duas culturas surge como estratégia central, com usinas híbridas ampliando a eficiência e o tempo de operação ao longo do ano.

Escala global e dinâmica de mercado

Guilherme Nastari destacou o papel do Brasil no mercado internacional, com participação superior a 70% no fluxo global de açúcar. O executivo ressaltou que o país atua como regulador do mercado ao ajustar o mix entre açúcar e etanol conforme as condições de preços e demanda.

A DATAGRO projeta produção de 642 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul na safra 2026/27, com cerca de 38,6 bilhões de litros de etanol, incluindo quase 12 bilhões de litros provenientes do milho. Apesar de um déficit global de açúcar, os preços seguem pressionados por fatores financeiros e pela dinâmica de oferta.

Papel do produtor e adaptação do setor

José Guilherme Nogueira destacou a importância do produtor na sustentação do setor e na adoção de tecnologias que permitam ganhos de eficiência e redução de custos. Segundo ele, a capacidade de adaptação da cadeia produtiva será determinante diante de um cenário mais competitivo e com maior diversidade de matérias-primas.

A avaliação conjunta dos participantes é que o futuro da cana dependerá da combinação entre ciência, inovação, integração industrial e diversificação de produtos. Mesmo com novos concorrentes, a cultura mantém vantagens estruturais e segue estratégica para a produção de açúcar, etanol e bioenergia.

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