Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Etanol brasileiro mira mercado de combustíveis para grandes navios

Transporte marítimo pode abrir nova demanda para o biocombustível

O avanço da descarbonização do transporte marítimo pode abrir um novo mercado para o etanol brasileiro, em um momento de expansão da capacidade produtiva nacional e de mudanças no consumo de combustíveis pelo setor automotivo. A avaliação é de Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, que vê no chamado biobunker uma oportunidade de diversificar os destinos do biocombustível.

Segundo o executivo, o crescimento da produção de etanol de milho, aliado à estrutura agrícola brasileira, coloca o país em posição favorável para atender à demanda de embarcações movidas a combustíveis de menor intensidade de carbono. A perspectiva ganha importância diante do avanço dos veículos híbridos e elétricos, que tende a alterar o perfil de consumo de combustíveis no transporte rodoviário.

“O Brasil está diante de uma nova fronteira para o etanol com o uso do biocombustível na navegação e seu potencial para reduzir a pegada de carbono do setor marítimo. Temos enorme capacidade de produção, especialmente com o crescimento do etanol de milho”, afirma Ono.

Na avaliação do CEO, o mercado marítimo pode avançar mais rapidamente do que o de combustível sustentável de aviação (SAF). Enquanto a aviação depende de diferentes matérias-primas e de uma trajetória gradual de incorporação do combustível renovável, a navegação já realiza testes com variadas proporções de etanol, incluindo experiências com E100.

Mercado marítimo pode consumir bilhões de litros

A dimensão do mercado internacional ajuda a explicar o interesse pelo novo destino do etanol. O transporte marítimo mundial consome aproximadamente entre 250 bilhões e 298 bilhões de litros de combustíveis por ano, segundo os números apresentados pela SCA Brasil. Uma participação de 10% do etanol nesse volume representaria uma demanda potencial de 25 bilhões a 29,8 bilhões de litros anuais, em uma comparação volumétrica simplificada.

O volume é expressivo diante da produção brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o país deverá produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. A incorporação do biocombustível à navegação poderia, portanto, representar uma fonte adicional relevante de consumo, embora sua efetivação dependa de condições técnicas, econômicas e regulatórias.

Parte dessa oportunidade está associada à renovação da frota marítima internacional. Novas embarcações projetadas para operar com combustíveis alternativos deverão entrar em serviço até 2030, ampliando a necessidade de fornecedores capazes de garantir disponibilidade e regularidade no abastecimento.

Para Ono, o Brasil precisa se antecipar a esse movimento. Além de ampliar a capacidade de produção, será necessário adequar a infraestrutura portuária, os sistemas de armazenagem e a logística de distribuição para atender às exigências do transporte marítimo.

Regulamentação será decisiva para novos investimentos

A criação de regras específicas para o uso de combustíveis sustentáveis na navegação é apontada pelo executivo como uma condição importante para o desenvolvimento desse mercado. Ono participou de uma reunião sobre o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Navegação, na qual representantes do governo federal discutiram aspectos da regulamentação.

Segundo ele, a definição de metas e de um cronograma de implementação poderá dar maior segurança aos investimentos necessários tanto na produção quanto na infraestrutura de abastecimento. A previsibilidade regulatória também será importante para orientar decisões de armadores, operadores portuários e fornecedores de biocombustíveis.

O interesse por alternativas aos combustíveis marítimos convencionais já mobiliza grandes empresas. De acordo com Ono, a Vale e a Maersk vêm realizando testes e adaptações em embarcações para o uso de biocombustíveis, em iniciativas que buscam reduzir as emissões das operações de transporte. “A Vale e a Maersk vêm realizando testes e adaptações em embarcações para o uso de biocombustíveis, com resultados positivos. É um movimento que mostra que essa discussão começa a sair do campo das possibilidades e avançar para uma aplicação concreta”, afirma.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *