Metodologia amplia diagnóstico da murcha da cana no campo
Avaliação considera solo, palhada e planta para orientar manejo dos canaviais
Uma metodologia de campo que avalia diferentes ambientes do canavial busca ampliar a precisão no diagnóstico da Síndrome da Murcha da Cana e orientar a definição das estratégias de manejo. A proposta considera três dimensões, solo, palhada e parte aérea da planta, diante da atuação simultânea de diferentes patógenos associados à síndrome.
O método será apresentado pelo consultor da VS8 Agrisolutions Victor Silveira durante o I Grande Encontro de Doenças de Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana, marcado para 29 de setembro, no Centro de Cana do Instituto Agronômico, o IAC, em Ribeirão Preto – SP.
Segundo Silveira, uma das dificuldades para identificar a síndrome está justamente na necessidade de compreender o que ocorre em diferentes pontos do sistema produtivo. Cada uma das três dimensões avaliadas pode apresentar sinais, momentos críticos e respostas distintas ao manejo.
A análise apenas da parte aérea, por exemplo, pode revelar efeitos de um problema que começou anteriormente em outro ambiente. A avaliação isolada do solo, por sua vez, pode não mostrar o avanço do quadro para outras estruturas da planta.
Diagnóstico pode definir prioridade entre os talhões
A proposta é utilizar o diagnóstico também para estabelecer prioridades de intervenção dentro da propriedade. A partir da avaliação, seria possível distinguir talhões que demandam ação imediata daqueles que podem ser manejados no ciclo seguinte ou nos quais uma intervenção já deixou de ser economicamente viável.
“Diagnóstico não é só entregar um ‘sim, tem murcha’. Ele entrega prioridade”, afirma Silveira. Segundo o consultor, a localização do problema também interfere na estratégia a ser adotada, evitando a aplicação de uma mesma medida em toda a área independentemente das condições encontradas.
A abordagem busca, dessa forma, relacionar o manejo ao estágio e ao ambiente em que os sinais da síndrome são identificados. Conforme Silveira, uma ocorrência concentrada no solo exige uma resposta diferente daquela necessária quando o problema já alcançou a palhada ou a parte aérea.
Outro ponto destacado pelo consultor é a associação da murcha exclusivamente à falta de chuva. Na avaliação dele, o estresse hídrico pode tornar mais visíveis danos que começaram a se formar anteriormente, o que reduz a efetividade de uma estratégia baseada apenas na expectativa de recuperação das plantas com o retorno das precipitações.
Identificação tardia pode limitar opções de manejo
Silveira também chama a atenção para diagnósticos realizados somente na colheita. Nessa etapa, segundo ele, parte das perdas já pode estar consolidada, diminuindo as possibilidades de intervenção no ciclo em andamento.
A avaliação proposta pretende ainda auxiliar na diferenciação entre sinais associados à Síndrome da Murcha da Cana e sintomas provocados por outros fatores presentes no campo. Entre eles estão estresse hídrico, deficiência nutricional e ocorrência de pragas de solo, condições que podem dificultar a identificação do problema.
O tema será discutido no encontro que reunirá especialistas em doenças da cultura e na Síndrome da Murcha da Cana. A programação prevê a apresentação da metodologia de avaliação em três dimensões e a identificação dos sinais observados no campo.
Serviço
I Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana
Data: 29/09/2026
Hora: das 8h às 16h
Local: Centro de Cana do IAC – Ribeirão Preto/SP
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