FGV aponta que fatores técnicos também definem mix entre açúcar e etanol
Estudo mostra que preços influenciam a decisão, mas não são o único fator
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforça que a definição do mix de produção entre açúcar e etanol nas usinas paulistas depende de um conjunto de fatores econômicos e operacionais, e não apenas do comportamento dos preços. Intitulado Análise empírica sobre os determinantes da decisão de produção de açúcar e etanol na agroindústria canavieira paulista, o trabalho acaba de ser disponibilizado on-line e reúne dados de 119 unidades produtoras em atividade entre as safras 2010/11 e 2018/19.
A pesquisa, desenvolvida por Mariana Regina Zechin, analisa os elementos que influenciam a estratégia de produção das empresas e busca ampliar o entendimento sobre a flexibilidade operacional do setor sucroenergético brasileiro, tema ainda pouco explorado em estudos nacionais.
Além dos preços
Segundo a autora, embora a remuneração de açúcar e etanol continue sendo o principal direcionador das decisões das usinas, outros fatores exercem influência significativa sobre o aproveitamento da matéria-prima.
“Os resultados indicaram que embora os preços desses produtos sejam os principais determinantes da decisão de produção das usinas, eles não são os únicos. Variáveis de ordem técnica, como a qualidade da matéria-prima, a capacidade de produção, os dias em safra, a capacidade produtiva e o aproveitamento de moagem também influenciam a decisão das empresas quanto ao uso da cana-de-açúcar e restringem essa possibilidade de escolha”, afirma Mariana Regina Zechin.
Entre os fatores analisados estão a qualidade da cana processada, a capacidade industrial instalada, o número de dias efetivos de safra e o nível de utilização da moagem, variáveis que podem limitar ou ampliar a flexibilidade das usinas para alterar seu mix produtivo.
Base para novas pesquisas
O trabalho foi orientado por Angelo Costa Gurgel, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e do Mestrado Profissional em Agronegócio da FGV, e por Luciano Rodrigues, professor do mesmo programa e economista-chefe da UNICA. Mariana Regina Zechin também integra o núcleo técnico da UNICA.
Além de preencher uma lacuna sobre a realidade brasileira, o estudo oferece subsídios para análises dos mercados de açúcar e etanol, ao demonstrar que a definição do mix de produção resulta da combinação entre sinais de mercado e limitações operacionais das unidades industriais.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: