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Fiesp vê cenário mais desafiador para a economia no segundo semestre

Relatório aponta inflação persistente e juros elevados

As tensões geopolíticas, a política monetária mais restritiva nas economias desenvolvidas e o avanço das tarifas comerciais dos Estados Unidos devem manter o ambiente econômico mais desafiador ao longo do segundo semestre de 2026. A avaliação faz parte da edição de julho do relatório Cenário Econômico, elaborado pelo Departamento de Economia (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reúne análises e projeções para a economia brasileira e global.

O documento destaca que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua projeção de crescimento da economia mundial para 3,0% em 2026, ante 3,1% estimados anteriormente. A desaceleração reflete principalmente os efeitos da guerra no Oriente Médio, embora parte desse impacto seja compensada pelos investimentos ligados à inteligência artificial e ao setor de tecnologia. Para o Brasil, a Fiesp projeta crescimento de 1,9% em 2026 e 1,1% em 2027.

Conflitos e commodities elevam os riscos para a economia

Outro ponto de atenção é o mercado de energia. Segundo o relatório, o bloqueio do Estreito de Hormuz voltou a pressionar as cotações do petróleo, elevando os riscos inflacionários em escala global. A valorização do petróleo fortalece o dólar, dificulta a redução dos juros nos Estados Unidos e aumenta a pressão sobre o câmbio brasileiro, afetando custos de importação e de produção.

A Fiesp também revisou para cima suas expectativas para diversas commodities. O FMI projeta preço médio do petróleo em US$ 89 por barril em 2026, alta de 32% sobre 2025 e 9% acima da estimativa divulgada em abril. Os fertilizantes devem registrar aumento de 26%, enquanto os alimentos podem subir 8%, refletindo os maiores custos de energia, transporte e insumos.

No mercado doméstico, o estudo ressalta que juros internacionais elevados e um dólar mais forte podem dificultar o financiamento de empresas e produtores rurais, além de pressionar o custo dos insumos importados. O relatório também chama atenção para a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, embora itens estratégicos, como carne bovina, café, laranja, petróleo, celulose e aeronaves, tenham permanecido isentos da alíquota de 25%.

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