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Irrigação amplia produtividade e reduz risco climático na cana

Adoção de tecnologia avança no campo com foco em eficiência hídrica, segurança regulatória e previsibilidade da produção

A irrigação vem ganhando espaço no planejamento agrícola dos produtores de cana-de-açúcar diante da maior frequência de períodos de seca e da irregularidade das chuvas. O manejo hídrico, antes restrito a situações emergenciais, passa a ser incorporado de forma estruturada como instrumento para mitigar riscos climáticos, preservar produtividade e aumentar a eficiência do uso de insumos.

O avanço ocorre também no ambiente institucional. O setor bioenergético e a Agência Nacional de Águas avançaram em um entendimento para o uso de telemetria na irrigação de salvamento da cana, o que permite maior controle sobre os volumes aplicados e contribui para a regularização do uso da água. A iniciativa busca conciliar o aumento da adoção da prática com segurança jurídica ao produtor e melhor gestão dos recursos hídricos.

Resultados no campo impulsionam investimentos

Experiências em áreas irrigadas indicam ganhos relevantes de produtividade em relação ao cultivo em sequeiro, especialmente em regiões mais sujeitas a déficit hídrico. Sistemas como a irrigação por gotejamento têm permitido maior uniformidade do canavial, melhor aproveitamento de fertilizantes e redução do estresse da planta em fases críticas do ciclo.

No Grupo Santa Adélia, por exemplo, a irrigação vem sendo expandida como parte da estratégia agrícola. Dados operacionais mostram incrementos expressivos de produção por hectare em áreas irrigadas, o que tem sustentado novos investimentos. A companhia projeta ampliar de forma gradual a participação da irrigação em sua área produtiva nos próximos anos, associando o manejo hídrico à estabilidade da oferta de matéria-prima.

Tecnologia, energia e marco regulatório

A evolução tecnológica tem ampliado a eficiência dos sistemas de irrigação, com maior automação, controle de lâmina e integração de dados agronômicos. Fornecedores do setor avaliam que a cana-de-açúcar deve ganhar participação nos investimentos em irrigação a partir de 2026, acompanhando o movimento observado em outras culturas de larga escala.

Ao mesmo tempo, o custo da energia elétrica permanece como fator relevante na decisão do produtor. O governo federal discute mudanças nas regras de descontos tarifários para irrigação e aquicultura, enquanto o Congresso analisa propostas voltadas à ampliação da capacidade de armazenamento de água por meio de reservatórios, o que pode contribuir para dar maior previsibilidade aos projetos.

Para o produtor, a irrigação tem se consolidado como ferramenta de gestão do risco climático. A possibilidade de complementar a oferta hídrica em momentos críticos reduz perdas, facilita a implantação do canavial e contribui para maior regularidade da produção entre safras. A decisão de investir passa a ser orientada não apenas pelo ganho de produtividade, mas pela redução da exposição a eventos climáticos adversos.

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