Primavera começa com El Niño forte e chuva irregular no campo
Fenômeno exige atenção à distribuição das precipitações nas lavouras
A primavera começa nesta terça-feira (22) sob influência de um El Niño em fortalecimento, cenário que deve interferir no regime de chuvas das principais regiões produtoras do país. Para o agronegócio, mais do que o volume acumulado, a atenção estará concentrada na distribuição das precipitações ao longo dos próximos meses.
O Pacífico equatorial registra aquecimento expressivo. Na região Niño 3.4, uma das principais referências para o acompanhamento do fenômeno, a anomalia semanal da temperatura da superfície do mar chegou a 2°C. Mais próximo da América do Sul, alcançou 2,8°C na região Niño 3 e 3,7°C na Niño 1+2, segundo informações da Climatempo.
Apesar de esses valores estarem associados a episódios de elevada intensidade, a classificação oficial considera médias de períodos mais longos. O RONI, índice utilizado pela NOAA para acompanhar e comparar os eventos, estava em 1,4°C no trimestre entre junho e agosto.
As projeções indicam mais de 90% de probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte entre a primavera e o início do verão. A expectativa é de continuidade do fenômeno até parte do outono de 2027.
A intensidade, porém, não significa que os impactos serão iguais em todo o Brasil. A tendência é de maior volume de precipitação no Sul e irregularidade em partes do Sudeste, Centro-Oeste, Matopiba e Norte.
“A primavera é um período de grande importância para o agronegócio. Em grande parte das regiões produtoras do país, tem início a semeadura da safra de grãos de verão”, afirma Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus. O período também marca o retorno das chuvas às pastagens e a florada do café.
Frente fria marca começo da estação
A transição para a primavera também será acompanhada pelo avanço de uma frente fria pelo Centro-Sul. O sistema aumenta as condições para temporais e será seguido por uma massa de ar polar, provocando queda das temperaturas em diferentes áreas.
Depois de atingir a região Sul, a frente deve avançar nesta terça-feira (22) sobre setores de São Paulo e Mato Grosso e, posteriormente, alcançar Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A passagem do sistema ocorre justamente no início do período em que as chuvas voltam a ganhar espaço em importantes regiões agrícolas.
No Sul, o começo da semana já é marcado por volumes elevados de precipitação e temporais associados à frente fria. O cenário reforça uma característica esperada para os próximos meses, com maior frequência de chuva na região sob influência do El Niño.
Distribuição da chuva será decisiva para as lavouras
No Sudeste e Centro-Oeste, as precipitações podem superar a média em determinados períodos da primavera, favorecendo o início da primeira safra. O cenário tende a oferecer condições de umidade para culturas como soja e algodão.
A regularidade das chuvas, entretanto, será determinante para o restante do ciclo. Caso a estação chuvosa termine mais cedo, o milho de segunda safra poderá enfrentar condições menos favoráveis.
No Sul, a expectativa é de chuva acima da média e volumes elevados durante a estação. Os maiores acumulados tendem a ocorrer em Santa Catarina e Paraná, com possibilidade de o excesso alcançar localidades de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O Rio Grande do Sul também permanece sob atenção diante da ocorrência de eventos extremos.
No Matopiba, formado por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e no centro-leste do Pará, a distribuição das precipitações deve exigir acompanhamento. Para novembro, a previsão aponta chuva abaixo da média no Nordeste, norte de Minas Gerais e em parte da região Norte.
Áreas do norte de Minas Gerais e Goiás e do nordeste de Mato Grosso, especialmente no Vale do Araguaia, também podem registrar maior irregularidade. O cenário não indica ausência de chuva, mas uma distribuição menos regular em comparação com outras áreas do Sudeste e Centro-Oeste.
As temperaturas devem permanecer elevadas durante a primavera. As ondas de calor mais intensas e prolongadas tendem a se concentrar no Norte e Nordeste, enquanto Sudeste e Centro-Oeste podem registrar médias acima do normal. Em novembro, há previsão de chuva forte e risco de eventos extremos entre o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em dezembro, o El Niño deve continuar atuante, mantendo condições para chuvas e ventos fortes no Sul e nas áreas mais ao sul do Sudeste e Centro-Oeste.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: