Produção de sorgo deve crescer 25% e chegar a 7,6 milhões de toneladas
Resistência à seca e uso na produção de etanol ampliam espaço do cereal no país
A produção brasileira de sorgo deve alcançar 7,62 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de aproximadamente 24,9% em relação ao ciclo anterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. O avanço reforça a presença de uma cultura que vem ganhando espaço principalmente por sua resistência à seca e pela possibilidade de cultivo em diferentes condições.
Goiás lidera a produção nacional, seguido por Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Originário da África e da Ásia, o sorgo é o quinto cereal mais produzido no mundo e, no Brasil, ainda tem como principal destino a alimentação animal, embora também seja utilizado pela indústria de alimentos, na produção de energia e em sistemas agrícolas.
“O sorgo deixou de ser uma cultura alternativa para assumir um papel estratégico dentro do planejamento agrícola. Sua resistência às condições climáticas adversas e sua versatilidade de uso fazem dele uma opção cada vez mais importante para o produtor rural”, afirma Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes.
Uso vai além da alimentação animal
Na pecuária, o cereal é empregado na fabricação de rações para aves, suínos e bovinos. Segundo Schiavo, além da qualidade nutricional, a estabilidade de produção em períodos de menor disponibilidade hídrica contribui para a utilização do sorgo na alimentação dos animais.
O cereal também começa a ocupar espaço na alimentação humana. Naturalmente livre de glúten, pode ser utilizado na produção de farinhas, flocos, cereais matinais, massas, biscoitos e barras de cereais. O grão também aparece como matéria prima para cervejas e destilados.
Outra frente está na produção de energia. Variedades de sorgo sacarino podem ser destinadas à fabricação de etanol, enquanto outros materiais são utilizados como biomassa para geração de eletricidade e calor. Há ainda o sorgo vassoura, cultivado por suas fibras longas e resistentes, empregadas na fabricação artesanal e industrial de vassouras.
Cultura também ganha espaço na rotação
O sorgo também pode ser utilizado como cobertura vegetal e integrar sistemas de rotação de culturas. Nesses casos, contribui para a conservação do solo, redução da erosão e manutenção da umidade, além de ajudar a preparar a área para os cultivos seguintes.
A combinação entre tolerância a condições climáticas adversas e diferentes possibilidades de uso tende a ampliar o interesse pela cultura. “O produtor procura hoje culturas que ofereçam produtividade, segurança e capacidade de adaptação às mudanças climáticas. O sorgo reúne essas características”, afirma Schiavo.
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