Risco de queimadas amplia uso de monitoramento por satélite
Tecnologia combina imagens e inteligência artificial para antecipar ocorrências no campo
O risco de queimadas volta a ganhar atenção no agronegócio diante das condições climáticas previstas para os próximos meses. Além das medidas adotadas diretamente nas propriedades, tecnologias de monitoramento por satélite e inteligência artificial ampliam a capacidade de acompanhar áreas agrícolas e identificar ocorrências de fogo.
O histórico recente mostra a dimensão do problema. Dados consolidados pelo MapBiomas apontam que cerca de 30,2 milhões de hectares foram queimados no Brasil em 2024, segundo maior volume da série histórica iniciada em 1985. Entre 1985 e 2025, a média anual ficou em aproximadamente 18,4 milhões de hectares.
No campo, os incêndios podem provocar perdas em lavouras e pastagens, atingir áreas de preservação e comprometer estruturas como armazéns e redes elétricas. Nesse cenário, reduzir o intervalo entre a identificação do fogo e a tomada de decisão passa a ser parte da estratégia de prevenção.
Satélites reduzem tempo de resposta
Sistemas de inteligência geoespacial utilizam imagens de satélites e drones associadas à inteligência artificial, visão computacional e ciência de dados. As informações permitem detectar focos ativos, delimitar áreas atingidas e simular a possível propagação do fogo nos minutos e horas seguintes.
Uma das tecnologias disponíveis foi desenvolvida pela Inspectral, empresa de Presidente Prudente – SP. Segundo Alisson do Carmo, pesquisador e cofundador da companhia, o uso dessas ferramentas permite antecipar cenários críticos e tornar mais eficiente a mobilização das equipes.
“Investir em monitoramento ambiental com inteligência geoespacial é a alternativa para identificar cenários críticos com maior antecedência, otimizar a mobilização das equipes e minimizar impactos operacionais, ambientais e financeiros”, afirma.
Uma aplicação em maior escala ocorre no setor elétrico. Em parceria com a Axia Energia, antiga Eletrobras, a Inspectral participou do desenvolvimento de um sistema que monitora continuamente mais de 74 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil.
A operação utiliza imagens de mais de 20 satélites, funciona 24 horas por dia e realiza análises atualizadas a cada dez minutos. Os dados são usados para identificar focos ativos e áreas afetadas e subsidiar ações das equipes operacionais.
Tecnologia também chega às lavouras
No agronegócio, a mesma base tecnológica pode ser empregada no acompanhamento de culturas e na identificação de alterações ambientais. Imagens multiespectrais combinadas à inteligência artificial também são utilizadas para a identificação precoce de doenças e pragas nas lavouras.
O cenário climático reforça a atenção sobre o risco de incêndios. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, o El Niño deve continuar se fortalecendo ao longo de 2026. A agência aponta probabilidade de 97% de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
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