Fertilizantes recuam e clima amplia atenção para safra 2026/27
Exportações seguem firmes enquanto custos e El Niño elevam incertezas
O agronegócio brasileiro entra na safra 2026/27 com uma combinação de queda nas entregas de fertilizantes, mudanças no quadro global de commodities, exportações ainda aquecidas e maior atenção ao clima. Os sinais fazem parte do relatório #CafécomPrado, da Prado Agronegócios, divulgado neste domingo (14).
As entregas de fertilizantes no Brasil recuaram 5,4% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. A retração ganhou força no segundo trimestre, quando o volume passou de 10,714 milhões para 9,264 milhões de toneladas, queda de 13,5%. Junho apresentou o resultado mais fraco do período, com redução de 17,3%.
A movimentação também diminuiu nas importações. Entre janeiro e agosto, o Brasil internalizou 25,4 milhões de toneladas, 13,8% abaixo de igual intervalo de 2025. Apesar do menor volume, o desembolso ficou praticamente estável, em US$ 10 bilhões, enquanto o preço médio avançou 15,9% por tonelada.
Na avaliação da Prado Agronegócios, esse cenário exige atenção porque a redução nas compras pode afetar o pacote tecnológico utilizado nas lavouras. Entre os pontos de risco estão menor aplicação de nutrientes, perda de produtividade, empobrecimento do solo e maior pressão sobre os custos de abastecimento.
Oferta mundial muda cenário das commodities
No mercado internacional, o relatório destaca projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para soja, milho, trigo e algodão. Para a soja, a produção mundial na temporada 2026/27 é estimada em 442 milhões de toneladas, alta de 3%, com o Brasil podendo alcançar o recorde de 186 milhões de toneladas.
No milho, o cenário é diferente. Embora a produção global seja projetada em 1,291 bilhão de toneladas, os estoques finais podem cair 10%, para 272 milhões de toneladas. A relação entre estoque e consumo recua dois pontos percentuais, para 21%, indicando um balanço mundial mais ajustado.
Para o trigo, produção e consumo mundiais aparecem equilibrados em 822 milhões de toneladas. Já no algodão, a produção global é projetada em 25,5 milhões de toneladas, queda de 4%, enquanto os estoques finais recuam 7%, para 15,2 milhões de toneladas.
Exportações mantêm ritmo e ampliam diversificação
Do lado brasileiro, as exportações continuam como fator de sustentação para o mercado agrícola. Segundo os dados reunidos pela Prado Agronegócios com base nas projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, os embarques acumulados até setembro podem chegar a 144,66 milhões de toneladas, volume 3,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A soja responde por 102,126 milhões de toneladas no acumulado, alta de 7,3%, enquanto o farelo alcança 20,012 milhões, avanço de 15%. A pauta também mostra maior diversificação, com crescimento dos embarques de sorgo e presença do DDG, coproduto da produção de etanol de milho, entre os produtos exportados.
Para setembro, a projeção é de 16,799 milhões de toneladas embarcadas. Soja e farelo devem registrar crescimento em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o milho apresenta retração.
El Niño entra no radar da próxima safra
O clima completa o quadro de atenção. O relatório aponta que o El Niño está presente e em processo de fortalecimento, com mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno de 2026/27 no Hemisfério Norte. No Brasil, o período corresponde principalmente à primavera e ao verão da safra 2026/27.
A condição coincide com uma fase decisiva para o desenvolvimento da soja e do milho e para a implantação da segunda safra. A Prado Agronegócios ressalta, porém, que a intensidade do fenômeno não determina isoladamente seus efeitos regionais, o que mantém a distribuição, a regularidade e o volume das chuvas como variáveis a serem acompanhadas.
Para a semana de 14 a 20 de setembro, as projeções apresentadas no #CafécomPrado indicam chuvas concentradas no Centro-Sul do Brasil, especialmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
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